GT Territórios e Fronteiras – Anais do VI Congresso

 
  • A PRESENÇA DAS ATRIZES CRIANDO A TEATRALIDADE DO ESPETÁCULO

Adriana Gonçalves Maia
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UniRio
Doutorando – Processos de construção cênica – Or. Prof. Dr. Ricardo Kosovski
Professora substituta do Departamento de Interpretação UniRio

Resumo:
Esta comunicação explora um dos pontos da minha pesquisa: a percepção da teatralidade de um texto e sua concreção em cena através da palavra presente dita pelo ator. Para realizar a pesquisa iniciei um processo de investigação prática com um grupo de atrizes onde elegemos um romance epistolar, “Caixinha de madeira” da autora paulista Índigo, com o intuito de encenar um espetáculo e produzir material para reflexão. O aspecto que sublinho lança um olhar sobre a construção de uma teatralidade que não tenta domesticar o caráter narrativo e épico do texto, mas sim faz uma aposta numa mise-en-scène onde a presença do ator e sua relação com o texto enfrenta esta particularidade criando uma teatralidade para isto acontecer.

Palavras-chave: teatralidade, presença, relação, disponibilidade, energia

  • Dramaturgia e Minimalismo: Conjecturas e Refutações

Alex Beigui
UFRN
Professor Adjunto III

Resumo: A partir do movimento minimalista da década de 60 é possível acompanhar elementos que contribuíram e vem contribuindo para a modificação da noção do texto dramático e da cena pós-dramática. Este trabalho procura mapear a partir da abordagem comparativa e conceitual a passagem da noção do drama como unidade para a de drama como construto, extrato, fragmento. Paradoxalmente à supervalorização do alcance da máquina teatral e suas possibilidades tecnológicas além da exploração de novos espaços físicos de montagem, emerge na produção dramatúrgica de terceiro milênio – resistente à síntese e à simplificação – movimento contraditório em que se procura mergulhar para atingir a superfície.

Palavras-chave:

  • Presença em cena

Alexandre Pieroni Calado
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – USP
Doutorando – Formação do Artista Teatral – Or. Antônio Januzelli
Bolseiro da F.C.T. / M.C.T.E.S. (Portugal)
Fazedor e pesquisador de teatro

Resumo: As minhas experiências como ator do que chamaria «sentimento de presença em cena» estão atravessadas por um paradoxo: estar consciente e esquecer-me de mim. No presente artigo exploro a aparente contradição dessa experiência subjetiva de estar presente e ausente a si durante a atuação com auxilio das noções de «sentimento de si», do neurobiólogo António Damásio, e de «fluxo», do psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi. A partir desta discussão, proponho três planos de referência para orientar práticas artísticas e pedagógicas que visam intensificar no ator o sentimento de presença em cena: o controle e a excitação na situação cénica; a atenção às relações com objetos, espaço, parceiros e imagens mentais; a propriocepção.

Palavras-chave: presença, ator, António Damásio, Mihaly Csikszentmihalyi.

  • Hermes como Pedras Aponta o Caminho

Alexandre Silva Nunes
Escola de Música e Artes Cênicas – Universidade Federal de Goiás – UFG
Professor Adjunto I – Doutor em Artes Cênicas – PPGAC UFBA

Resumo: O presente artigo busca analisar proximidades e distâncias entre métodos científicos e procedimentos artísticos, no que se refere ao teatro e suas fronteiras. Por um lado, busca questionar dogmas científicos, analisando caminhos alternativos para a construção de saberes, no campo das artes cênicas, igualmente capazes de rigor acadêmico. Por outro lado, busca identificar as fronteiras do lócus artístico, em relação a formas diversas de produção do conhecimento, refletindo acerca das possibilidades de diálogo entre a poética e o sagrado, no contexto da academia. Propondo formas de pensar por imagens, o artigo faz uso de recursos poéticos em sua construção, buscando fundir conteúdo e forma em suas elaborações.

Palavras-chave: Teatro, Sagrado, Hermes, Saber, Fronteiras

  • Apontamentos sobre a noção de dinâmica cênica – Visões do teatro contemporâneo.

Aline Mendes de Oliveira
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFMG
Doutoranda – Encenação contemporânea – Or. Prof. Dr. Fernando Antônio Mencarelli
Professora-assistente do Departamento de Artes Cênicas (Deart-UFOP)

Resumo: Iniciando-se com as reflexões de Hans-Thies Lehmann, sobre a noção de um teatro atual fundado mais na noção de estado ou situação, do que na ação dramática, o autor aponta a existência de uma dinâmica cênica que ao invés de centrar-se na evolução temporal do desdobramento do enredo, vem a tornar-se um modo distinto de articulação narrativa para a cena atual. A partir destes pressupostos, este texto se propõe a investigar exemplos (espetáculos de encenadores visuais como Richard Foreman e Robert Lepage) de articulação cênica, que se fundamentem sob os princípios enumerados: estado, situação, simultaneidade, parataxe, no sentido de produzir uma reflexão sobre diferentes processos ou estéticas, mas que possuam em comum estes elementos estruturantes como pilar de sua comunicação cênica.

Palavras-chave: Encenação contemporânea; pós dramático; dinâmica cênica.

  • Figurino-penetrante

Amabilis de Jesus da Silva
Professora do Departamento de Teatro -  Faculdade de Artes do Paraná
Professora Assistente – Doutora em Artes Cênicas  -  UFBA

Resumo: Tendo como aporte o figurino que penetra, perfura, marcheta ou invade o corpo, intento discutir a função do figurino de impulsionador da ação. Privilegiando a relação de contato e não mais de caracterização e materialização da subjetividade de um corpo-outrem, proponho observar o figurino que se põe a serviço dos estados do corpo-atuante, fazendo-os emergir, fazendo-os visíveis, perceptíveis.

Palavras-chave: figurino, subjetividade, presentificação

  • Terreiros de Resistência: um olhar fotográfico sobre Exu e o Rio de Janeiro contemporâneo

Américo Venceslau Freire Júnior

Licenciatura em Educação Física – UFRJ
PECDAN – Grupo de Pesquisa em Cinema e Dança
Graduando – Or. Profa. Ms. Katya Gualter
Bolsa especial de pesquisa

Bruno Leonardo Gomes Morais
Licenciatura em Educação Física – UFRJ
PECDAN – Grupo de Pesquisa em Cinema e Dança
Graduado – Or. Profa. Ms. Katya Gualter
Bolsa especial de pesquisa
Professor associado PECDAN

Leonardo Melo Pereira de Oliveira
Licenciatura em Educação Física – UFRJ
PECDAN – Grupo de Pesquisa em Cinema e Dança
Graduando – Or. Profa. Ms. Katya Gualter
Bolsa especial de pesquisa

Resumo: As paisagens das grandes cidades na contemporaneidade vêm sofrendo o que Bauman denomina mixofobia – a busca por espaços uniformes, cleans, frequentados somente por pessoas de semelhante nível econômico e social. Simbolicamente, verificamos o mesmo traço no que se refere às religiões afro-brasileiras. O Exu quimbandeiro no Candomblé e na Umbanda configuram-se como uma figura de resistência e desestrutura as relações de poder nos terreiros. Camelôs, menores de rua, mendigos, prostitutas, cortiços e ocupações, cumprem uma função semelhante nas cidades, assim como reordenam a energia social, também revelam ações de resistência. Esta pesquisa explora através da arte da fotografia e seu potencial performático essas relações apresentadas.

Palavras-chave: Fotografia, Cidade, Exu

  • Itinerância: um conceito em trânsito na cena brasileira

Ana Beatriz Wiltgen
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Mestranda – Teatro – Or. Profª. Drª. Maria Flora Sussekind
Bolsa CAPES

Resumo: O ser humano é impregnado pela errância. Com a passagem do nomadismo para o sedentarismo, embora o homem tenha se domesticado, sua pulsão errante continua estruturando a vida social. Mobilidade, fluidez e trânsito constituem a experiência de vida das sociedades contemporâneas. O ator sempre esteve ligado à itinerância por questões subjetivas ou objetivas: espiritualidade, ideal artístico, subsistência ou independência profissional. Se itinerância teatral se traduzia em mambembagem, depois da explosão da cena, da evasão da caixa italiana passou a ser constituinte, a agir como princípio operatório da própria encenação, estruturando internamente texto e encenação. A ideia é apresentar o percurso de um conceito: a itinerância enquanto motor e como constituinte da cena contemporânea.

Palavras-chave: Teatro – Itinerância – Mambembe

  • Metáforas de Trabalho e Experiência Artística

Ana Caldas Lewinsohn
Programa de Pós-Graduação em Artes – UNICAMP
Doutoranda – Or. Prof. Dr. Renato Ferracini
Bolsa FAPESP
Atriz do Grupo Peleja e Cia. Troada

Rogério Tufaile Kowask Bezerra
Artes Cênicas – UNICAMP
Iniciação Científica – Or. Prof. Dr. Renato Ferracini
Bolsa FAPESP

Resumo: As metáforas de trabalho são imagens e ações verbais utilizadas na condução de processos práticos que estimulam e auxiliam os artistas cênicos a atingir um corpo potente e expressivo, fora das zonas conhecidas e dos moldes enrijecidos e automatizados pelo cotidiano. Este artigo faz algumas reflexões a partir dos conceitos de experiência (Larrosa Bondía, Gadamer e John Dewey) e de ver e olhar (José Gil). Pretende, também, traçar uma relação entre o papel das metáforas de trabalho nas práticas criativas e a elaboração de possíveis entrelaçamentos desses conceitos.

Palavras-chave: metáforas; experiência artística; trabalho do ator; processo criativo

  • Mímeses, Dança e Nuvens

Ana Clara Cabral Amaral Brasil
Unicamp – Doutoranda
Artes Cênicas – Renato Ferracini
Fapesp
Dançarina e pesquisadora -Núcleo Fuga!

Resumo: Este resumo pretende abordar questões que emergem de uma pesquisa prática baseada na dança contemporânea e na Mímeses Corpórea (Lume-teatro). Denominamos “nuvens” as criações decorrentes desta pesquisa pelo fato de envolverem pequenos movimentos constantes que permitem lançá-las em movimento dançado pelo espaço sem, contudo, perder o núcleo de apoios físicos que os origina. Trata então de investigar o pensamento do corpo envolvido nesta pesquisa, em como se dá este raciocínio “entre” linguagens; e em como desenvolvê-lo observando quais suas “âncoras”. Aproximando este raciocínio em relação a conceitos como a experiência em Bondía e a Sensação em Deleuze encontramos um possível campo de estudo teórico que trata do impulso físico em um nível sutil e transitório.

Palavras-chave: Mímese corpórea; nuvens; experiência em Bondia; Sensação em Deleuze; impulso físico

  • De encontros e mortes – A necessidade do ridículo

Ana Goldenstein Carvalhaes
Mestre em Estética e História da Arte pela USP
Performer e Professora da Universidade Sorocaba

Resumo: Quando engatamos numa marcha, da repetição da vida, e não percebemos, as vezes acabamos por construir mascaras fantasiosas e ilusórias de nós mesmos. Isso também se dá na cena. Há todo um movimento performático contrário à essa forma de representação e ilusão, que tem a ver com uma luta contra a falsidade e a “a grande falcatrua” da vida social (Pessanha, 2002).
Performances podem ser bons lugares para deslocar a noção que a pessoa tem de si mesma, mas o deslocamento pode ser penoso. Por exemplo, é muito comum a gente se sentir ridículo performando. Mas é importante se sentir ridículo em cena, há um estranhamento interessante nessa sensação.
Uma forma de proteção contra essa sensação poderia ser justamente a construção dessas mascaras que não necessariamente ajudam na transformação da pessoa que performa. Mas se estamos esperando uma transformação do artista e do público, criado pela experiência artística, assumir certo grau de ridículo pode ajudar nessa empreitada. A persona performática clama pela experiência de uma intensidade de nós mesmos. É um problema de uma existência. E a existência, um enigma.
Essa reflexão se dá a partir da experiência realizada no evento X Moradias, em São Paulo em 2009, de uma performance executada por mim e proposta pelos artistas Cassio Santiago e da Elisa Band. Só o que fazemos de nós mesmos é o que importa, numa inteira responsabilidade por sermos assim tão ridículos.

Palavras-chave: Persona, máscara, transformação, ridículo

  • Inovação e tradição no Circo-Teatro brasileiro

Ana Lucia Marques Camargo Ferraz
Professora do Departamento de Antropologia-UFF
Pesquisa financiada pela FAPESP

Resumo: A partir de pesquisa etnográfica junto a uma Companhia de Circo-Teatro e da temporada do drama circence A maldição do lobisomem, no Espaço Parlapatões, em São Paulo, desenvolvo uma reflexão sobre as dinâmicas de inovação e transformação no Circo-Teatro brasileiro.

Palavras-chave: Circo-Teatro, Drama, Teatro de Grupo, Transformação, Palhaço.

  • Discussão a portas abertas: artes cênicas e novas tecnologias

Ana Maria de Bulhões-Carvalho
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO –
Professora Adjunta IV – Doutora em Literatura Comparada – UFRJ

Resumo: O artigo visa abrir discussão sobre o tema da participação das artes cênicas no universo das novas tecnologias, movendo-se por entre questões provocadas pela reflexão sobre os pressupostos colocados pelo universo das artes visuais, pioneiras no campo de criações híbridas. Que tecnologias são convidadas a participar dos avanços da cena? Por outro lado, até que ponto poderão as artes cênicas avançar no caminho da ciência e das novas tecnologias? Que manifestações dessas artes cênicas participam da hibridação de instrumentos, de linguagens e de que modo se servem das múltiplas linguagens oferecidas pelas tecnologias digitais, por exemplo? Que conseqüências trazem aos estudos teatrais e à linguagem da crítica a inserção dessas tecnologias?

Palavras-chave: artes cênicas e novas tecnologias; criações híbridas; hibridação de linguagens e instrumentos; tecnologias digitais

  • Filosofias da diferença e diferenças na cena

André Luiz Lopes Magela
Universidade Federal do Ceará – Professor Assistente
Mestre pela UNIRIO

Em minha pesquisa sobre o trabalho da Companhia Teatral Ueinzz, na qual metade dos atores são usuários de atendimentos psiquiátricos, entabulei conversas com muitas pessoas que assistiram aos seus espetáculos. Frequentemente o foco de avaliação recai sobre a loucura. O trabalho teria suas especificidades graças ao fato de que grande parte dos atores tem um vínculo maior ou menor com o que se chama de distúrbios mentais. Parece-me que esta visão circunscreve excessivamente o trabalho, colocando-o numa redoma que mais impede uma afetação e um estabelecimento de relações da vida do receptor com a Ueinzz (o que poderia levar a uma produção de subjetividade diversa, a outros parâmetros de recepção teatral) do que o valoriza. Esse teatro se torna “especial” e é mantida uma distância segura em relação a ele.

Palavras-chave: saúde mental, filosofia da diferença, diversidades cênicas

  • Os sortilégios de Antonin Artaud : a cena do subjétil

André Silveira Lage
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas, ECA-USP
Pesquisador – Doutor em Literatura Francesa – Paris 8
Bolsa de Pós-doutorado FAPESP
Pesquisador, Professor, Performer

Resumo: Trata-se de apresentar e de analisar os sortilégios [sorts] de Antonin Artaud, relacionando-os com as três dimensões do conceito de “subjétil” (o subjétil enquanto suporte, figura do Outro, operação mágica e cirúrgica) elaborado por Jacques Derrida no seu famoso artigo “Enlouquecer o subjétil”. Missivas conjuratórias ou agressivas que misturavam escritura e desenho sobre folhas de papel voluntariamente perfuradas e queimadas, esses sortilégios serão ainda considerados como um dos exemplos mais significativos dessa vontade de “enlouquecer o subjétil” da qual fala Derrida. O objetivo de tais operações? « Um exorcismo da maldição, uma vituperação corporal contra as obrigações da forma espacial, da perspectiva, da medida, do equilíbrio, da dimensão », escreve Artaud.

Palavras-chave: Antonin Artaud, sortilégios, conceito de subjétil

  • A dramaturgia do ator e o processo de composição cênica

Andrea Stelzer

Resumo: A pesquisa sobre a dramaturgia do ator, que venho realizando no doutorado, tem a ver com uma prática específica e característica do teatro contemporâneo. Em que medida e por que procedimentos o ator é chamado a desempenhar a função de autor? Pode-se considerar que a construção de imagens pelo ator e suas partituras constituem um processo de escrita cênica, do que se passou a chamar de dramaturgia do ator? O campo dos atores avança para além da interpretação do texto dando lugar à técnica, a visão de mundo e ao exercício cênico. A teatralidade do ator está relacionada com a escolha de dispositivos para criação de sua poética teatral.

  • Intervenção Urbana: uma experiência pedagógico-artística

Antônio Carlos de Araújo Silva
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – USP
Professor Efetivo – Doutor em Teatro – USP

Resumo: Tomando como base um curso ministrado sobre site specific e intervenções artísticas em espaços públicos, o artigo pretende analisar os procedimentos desenvolvidos com os alunos-criadores para a realização de uma experiência de diálogo com a cidade. O curso em questão fazia parte do Programa de Mestrado em International Performance Research, da Universidade de Amsterdam, na Holanda, e ocorreu em maio-junho de 2010. Tal experiência pedagógica abordava a questão da intervenção urbana numa perspectiva processual e compartilhada, além de retomar alguns princípios do urbanismo unitário e da psicogeografia situacionista. Fugindo das armadilhas da espetacularização do espaço urbano, o objetivo principal era criar um campo de experiência e de des-anestesiamento da percepção da cidade nos alunos-artistas.

Palavras-chave: Site specific; intervenção urbana; performance; pedagogia; Situacionismo.

  • A cenografia e a ação do ator no tempo da encenação

Bruna Christófaro
Mestre pelo PPGAC – UFBA
Poéticas e Processos de Encenação – Cenografia.
Orientadora: Profª. Drª. Sônia Lúcia Rangel.
Bolsista FAPESB
Diretora de Arte e Cenógrafa da Rede Minas de Televisão

Resumo: A cenografia faz parte da encenação; envolve os atores, a área do palco, cria o ambiente onde se dá o encontro entre atores e público. Pode ser entendida, em um sentido mais estrito, como os elementos construídos ou escolhidos diretamente para a cena. Em um sentido mais amplo, é a mola propulsora da transformação do espaço real em espaço fictício. A ação faz com que o tempo/espaço assistido pelo público torne-se dramático, ligando o mundo físico ao mundo imaginário da criação, que se materializa também por meio da forma com que os atores posicionam-se perante a cena e exercem suas ações. Os atores devem tomar para si o espaço cênico definitivo, estático, unir espaço e dramaturgia e utilizar esse mundo em todas as suas possibilidades. Uma cenografia se completa com a ação no tempo da peça.

Palavras-Chave: Cenografia; ator; ação; tempo/espaço/ação; espaço cênico.

  • Leopold Sulerjítski e o “sistema” de Stanislávski

Camilo Scandolara
Professor Assistente – Curso de Artes Cênicas – UEL
Mestre em Artes – Unicamp

Resumo: Esta comunicação busca apontar algumas das contribuições de Leopold A. Sulerjítski no desenvolvimento inicial do “sistema” de Stanislávski. Nela destaca-se o fato de que ao experimentar pedagogicamente, no Primeiro Estúdio do T.A.M., elementos que naquele momento eram ainda inquietações e tentativas de descoberta de caminhos concretos, Sulerjítski torna-se um ativo criador de um novo fazer teatral e contamina-o com sua vasta vivência extrateatral. Assim, Sulerjítski, juntamente com outros renovadores do início do século XX, faz com que a teoria teatral tenha que trabalhar com categorias e conceitos que até então lhe eram estranhos para poder compreender pesquisas que subvertem o fazer teatral institucionalizado expandindo seus limites e incorporando conceitos e práticas de outras áreas.

Palavras-chave: Sulerjítski, “sistema” de Stanislávski, Estúdios teatrais.

  • O evento teatral, a física quântica e o pensamento tradicional: reflexões sobre a obra e ideias do encenador Peter Brook nos dias que seguem

Carlos Frederico Bustamante Pontes
Universidade de São Paulo/USP/Mestrado
Área: Prática Teatral. Orientador: José Eduardo Vendramini
Mestre em Artes
Professor Assistente da Universidade Federal de São João del-Rei

Resumo: A presente comunicação pretende apontar alguns dos caminhos e perspectivas filosóficas pelos quais a trajetória artística do encenador Peter Brook vem trilhando desde o início da década de setenta do século XX até os dias atuais. A partir de considerações do próprio Brook sobre o seu trabalho criativo no teatro e de reflexões do físico Basarab Nicolescu acerca de possíveis aproximações da obra deste importante artista com descobertas recentes da ciência moderna, pretendemos nos indagar sobre os novos sentidos do fazer teatral nos dias que seguem e de nossa tarefa, enquanto possíveis renovadores, da função do teatro nas primeiras luzes deste novo milênio.

Palavras-chave: Teatro, Ciência Moderna, Física Quântica, Tradição

  • A respeito de modernos e contemporâneos

Carmem Gadelha
Professor Adjunto IV da Escola de Comunicação/UFRJ
Doutora em Comunicação e Cultura – ECO/UFRJ
Professora de Poética do Espetáculo do Curso de Direção Teatral – ECO/UFRJ

Resumo: A linguagem contemporânea do espetáculo teatral, dramaturgia, relações palco/platéia, dicotomia texto/cena: abordagem deste campo de problemas pode ser estabelecida a partir de diferenciações conceituais que, em primeiro lugar, delimitem as noções de modernidade e contemporaneidade – rupturas e continuidades. A reflexão é, em grande parte, aberta por Antonin Artaud, cujos sofrimentos expressam conflitos no interior da linguagem, nomeadamente a do teatro – espaço de experiência e questionamento, onde a representação se constrói e desconstrói, para reconstruir-se em múltiplas dimensões da teatralidade. É possível, então, arguir as configurações históricas do teatro a partir do modo como a representação articula corpo, espaço e tempo – na cena como na platéia, desde os gregos à performance.

  • Cordões de metáforas: cadeias de conhecimentos sobre o corpo brincador

Carolina Dias Laranjeira
Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFBA
Doutoranda – Corpo (em) Performance – Or. Eloisa Domenici
Bolsa FAPESB
Dançarina/Criadora, Grupo Peleja

Resumo: O presente artigo aponta alguns caminhos de interação entre os domínios da arte e da ciência, através de reflexões geradas a partir de uma pesquisa sobre as metáforas corporificadas do ambiente do Cavalo Marinho, manifestação popular encontrada na Zona da Mata Norte de Pernambuco. A partir do diálogo entre teorias das ciências cognitivas e os conhecimentos específicos sobre o corpo gerados pelos próprios brincadores, pretende-se destacar a relação entre corpo e ambiente da brincadeira e ainda, entre conhecimentos artísticos e corporais. A ciência definida enquanto um conjunto de explicações que partem de um observador e de suas experiências auxilia na compreensão de aspectos do corpo brincador.

Palavras-chave: Cavalo Marinho; Corpo; Metáforas Corporificadas; Dança

  • Proposições para um diálogo entre as Artes Performativas e o Budismo (e um exemplo da Ciência)

Cassiano Sydow Quilici
Instituto de Artes da Unicamp/ Comunicação das Artes do Corpo PUC-SP
Professor Assistente Doutor – Doutor em Comunicação e Semiótica (PUC-SP)
Professor de Teoria Teatral – graduação PUC-SP/ graduação e pós-graduação UNICAMP

Resumo: A presença atual das principais linhagens do Budismo em países do Ocidente tem possibilitado um diálogo cada vez maior com essas tradições. Nas artes performativas é notória certa aproximação desse universo entre artistas como John Cage, Allan Kaprow, Meredith Monk, Bill Viola, Lee Worley, Yoshi Oida, Marina Abramovic entre outros. Já alguns cientistas, como Francisco Varela, deram exemplos de investigações aprofundadas e sistemáticas do “dharma”, no campo da teoria e da prática, que nos são inspiradoras. O artigo propõe alguns pontos que considero importantes para que esse diálogo possa ser desenvolvido entre nós. Critico a idéia da mera assimilação artística de técnicas budistas, partindo de uma reflexão sobre o contexto mais amplo em que estas se inserem.

Palavras chaves: artes performativas, budismo, treinamento, dharma, ciência

  • Materialidade e Imaterialidade do Corpo nas Artes Cênicas e na Filosofia

Charles Feitosa
Professor e Pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Professor do Departamento de Filosofia e Ciências Sociais – UNIRIO

Resumo: O corpo constitui a matéria-prima fundamental das artes cênicas. Na filosofia, entretanto, a dimensão material das obras de arte foi predominantemente considerada apenas um meio para instauração da forma. Essa marginalização do material atinge tanto os materiais típicos tais como tinta, mármore ou bronze, como também a corporeidade humana. O auge dessa concepção ontológica que separa e hierarquiza forma e matéria são as Lições de Estética de Hegel, onde é estabelecido um sistema classificatório das manifestações artísticas baseado no maior ou menor grau de superação do caráter cru, natural, imediato e inferior da matéria. Nesse contexto a dança será equiparada por Hegel com a arte da jardinagem, devido a seu caráter imperfeito, excessivamente vinculado ao corpo. Nos séculos XX e XXI percebemos aspectos conflitantes, de um lado, tentativas de reabilitação da materialidade do corpo para além da ditadura da forma; de outro lado, uma tendência preocupante rumo a uma des-materialização do corpo, principalmente graças a crescente interação das artes cênicas com o cinema, o vídeo, o computador e a internet. O objetivo da presente comunicação é refletir sobre os pressupostos filosóficos das apropriações contemporâneas da materialidade e da imaterialidade do corpo nas artes cênicas, especialmente, na dança.

  • Proyecto Filoctetes e Project Embed – sem mais fronteiras: invadindo as ruas, contagiando os transeuntes e questionando as teorias.

Christiane de Fátima Martins
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – USP
Mestranda – Teoria e Prática do Teatro – Texto em Cena – Or. Profº Drº Felisberto Sabino da Costa
Bolsa – CAPES

Resumo: O presente artigo investiga a fronteira entre artes cênicas e visuais através da obra Proyecto Filoctetes de García Wehbi e o Project Embed de Mark Jenkins. A obra de Wehbi apresenta-se como um evento artístico de contestação social.Nessa obra foram construídos bonecos hiper-realistas de látex, instalados em posições que supunham a condição de indefesa ou acidentado. O Project Embed, de Jenkins, surgiu como uma continuação do Tape Men Project, que são esculturas de figuras humanas instaladas no meio urbano. Em ambos se observa a reação daqueles que se deparam com a obra e, em geral, eles definem que a reação de grande parte dos observadores está em não perceberem que não se trata de uma pessoal real, assim alguns as recebem com risos ou com espanto.

Palavras-chaves: Performance. Teatralidade. Proyecto Filoctetes. Emilio García Wehbi. Project Embed. Mark Jenkins. Contemporaneidade.

  • Fazer o novo, fazer de novo? Marina  Abramović e a performance para além do documento

Christina Gontijo Fornaciari
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFBA
Doutoranda – Corpo e(m) Performance – Or. Profa. Dra. Ivani Santana
Bolsa CAPES
Professora do Departamento de Artes Cênicas – UFOP

Resumo: Num tempo em que apropriação e assimilação são amplamente utilizadas em processos de criação artística, e onde a desmaterialização da arte é confrontada (e forçada a se compatibilizar) com sua mercantilização, esse artigo pretende olhar para a delicada questão da performance e sua reprodutibilidade. Serão abordadas as (im)possibilidades de preservação ou recuperação da vida da performance, tendo por mote trabalhos realizados entre 1992 e 2010 pela artista iugoslava Marina Abramovic, considerando termos como re-encenação, teatralização e re-performance. Assim, levantaremos algumas das controvérsias que emergem desse contexto, tendo em vista as repercussões da pretensa “imortalização/ressuscitação” da performance no mundo artístico contemporâneo, passando pelas engrenagens mercadológicas da arte.

Palavras-chave: Marina  Abramović – performance – documentação – reencenação – autoria

  • Paisagens Internas: Corpo, Performance e Meio Ambiente

Ciane Fernandes
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFBA / professor associado
Pós-Doutoranda, Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporânea, UFBA
Performer, coreógrafa, professora

Resumo: Apresentação do quarto ano do processo criativo de GEBO (Runa da Parceria), em sua fase de exploração ambiental (GEBO π), após a estréia coreográfica no palco. A metáfora de “Paisagens Internas” (P.I. ou π) sugere a íntima relação entre processos psicossomáticos pessoais e o ritmo entre os elementos componentes do ambiente. Exposição dos procedimentos da criação artística como método científico, sempre desafiando fronteiras. Análise da relação entre corpo e meio ambiente, criação artística e memória psicossomática, conexão interna e interação externa, no processo criativo em dança-teatro-ritual. Investigação do processo simultâneo de criação e cura, através da associação do método do Movimento Autêntico e da performance em meio ambiente natural, com documentação áudio-visual.

Palavras-Chave: dança-teatro-ritual, corpo e ambiente, performance e cura, Movimento Autêntico, vídeo-documentário

  • Poéticas do Eu e Metaficção.

Clovis Cunha
Licenciatura em Arte-educação– UNICENTRO
Professor Assistente – Mestre em Teatro– UDESC

Resumo: O texto aborda as poéticas do eu desenvolvidas por artistas das artes visuais adaptadas para cena teatral, alcançando estratégias da metaficção. O espetáculo Argentino Dolor Exsito e o projeto performático Aquele Biografado, de minha autoria, abordaram a incapacidade de visualizar a verdade sobre a identidade, quando esta é registrada e multiplicada a partir de diferentes pontos de vistas.  O texto pretende discutir a fragilidade da verdade na ação do artista quando este multiplica aspectos do indivíduo, Intencionando compreender a vida como um procedimento de ficção que se equivale aos procedimentos de composição estética da arte.
Segundo Richard Schechner (1988) a complexidade do procedimento estético ocorre na construção de um “corpo cotididiano espetacularizado”. Quando a vida invade a obra de arte ela gera um campo de instabilidade sobre as ações artísticas, impedido que estas ações sejam entendidas como produto da linguagem artística. O que se desenvolve nestes casos é uma convivência alegórica dos procedimentos de construção da linguagem onde a vida é evidenciada pela cena artística, fazendo com que a verdade oscile sobre a construção artística ou sobre a experiência vivenciada.
Alcançar um estado fronteiriço entre vida e arte, entre natureza e ficção, tornou-se objetivo de muitos artistas contemporâneos. Partindo desta suposta fronteira, artistas como Yves Klein, Vito Acconci, o Performance Group, Ligia Clark e Hélio Oiticica alcançaram um modo de deslocamento da aura simbólica  produzida pelo objeto artístico (antes anunciada por Walter Benjamin em estado desestabilizado); radicando-a na engenhosidade da elaboração dos procedimentos estéticos da arte.

palavras-chave: poéticas do eu, metaficção, performance art.

  • A Busca pela Singularidade no Trabalho do Ator

Cristóvão de Oliveira

Programa de Pós-Graduação em Teatro – UDESC

Mestrando – Linguagens Cênicas, Corpo e Subjetividade – Or. Profª Drª Sandra Meyer Nunes

Bolsa PROMOP

Resumo: Em que medida o desenvolvimento de uma técnica pessoal por parte do ator pode configurar-se num trabalho singular? Esse é o ponto de partida para investigar o trabalho do ator sobre si mesmo, problematizando a possibilidade de formalização de parâmetros de atuação própria, entendidos aqui como singularidades. Considerando o grupo portenho Periplo, Compañia Teatral como objeto de estudo, investigo questões como “O que vem a ser singular no trabalho do ator?” e “Como se organiza a singularidade para o ator, já que ele é sujeito e objeto de sua arte?”. Tendo em vista essa problemática, me apoio na leitura de Merleau-Ponty, no que tange à subjetividade e de José Carvalho Sombra sobre a subjetividade corpórea, utilizando ainda o estudo do pesquisador Henrique Buarque de Gusmão que trata das fronteiras entre sujeito, corpo e teatro.

Palavras-Chave: Singularidade – Poéticas do Ator – Técnica Pessoal – Processos de Criação

  • Descontrole, Sensores e o Atuador Interativo

Daniel Bíscaro Loureiro (Daniel Belquer)
(Mestre em Artes Cênicas – UniRio)
Diretor, Sound Designer, Video Maker

Resumo: O avanço da tecnologia digital provoca um salto nas possibilidades cênicas, incluindo-se aí o trabalho do atuador. A computação física e sensores adquiríveis a um custo baixo e manipuláveis com computadores domésticos, permitem criações cênicas ainda distante de serem devidamente pensadas. Não se trata apenas de novos aparatos incluídos na concepção cênica, mas na instauração de uma outra maneira de se pensar criativamente levando-se em conta os recursos de interatividade. Isso permite um maior grau de “descontrole” pelo atuador por colocar a seu encargo as operações de luz, som, vídeo, máquinas de fumaça, etc. integradas a seus movimentos, sons e posicionamentos previstos, sem a necessidade de manipulação direta das ferramentas.

Palavras-chave: tecnologia, sensores, atuador, interatividade

  • Noção de jogo na Consulta Encenada

Daniela Aquino Camargo
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFRGS
Mestre em Artes Cênicas
Atriz-bailarina-pesquisadora

Resumo: A improvisação na Consulta Encenada apresenta-se como um jogo, noção arraigada no comportamento humano, fazendo parte do desenvolvimento cognitivo e lúdico. Pensando o jogo como uma experiência estética, é possível dizer que a Consulta Encenada proporciona uma vivência lúdica, tanto para o ator como para o médico ator, com elementos do real e do ficcional. Durante o experimento, ambos, ator e médico, estão com as suas percepções, imaginações, pensamento e capacidade de improvisação em estado de alerta. O ator detém um treinamento técnico aliado à sua intuição para vivenciar esse tipo de experiência. A característica de não ter regras fixas é o que mais chama a atenção nesse tipo de jogo, o comando do jogo está ora com um, ora com outro jogador.

Palavras-chave: Teatro. Medicina de Família e Comunidade. Encontro. Jogo

  • Retina – Improvisação entre linguagens na criação cênica em tempo real

Daniela Guimarães
Programa de Pós- Graduação em Artes Cênicas – UFBA
Mestrando – Linha III – Corpo E (m) Performance – Or. Profa. Dra. Ivani Santana
Bolsa CAPES
Integrante do Grupo de Pesquisa Poéticas Tecnológicas e Colaboradora do Projeto Mapa D2 – Mapa e Programa de Artes em Dança Digital Salvador (UFBA).  Orientadora Corporal do Coletivo Construções Compartilhadas, Solar Boa Vista – Ponto de Cultura (Salvador BA). Diretora das Cias Cos’é? Teatro-Dança e Cia Ormeo (Cataguases MG). Coordenadora Geral do Projeto Café com Pão Arte ConFusão (Cataguases MG).

Resumo: O artigo apresenta a Improvisação como um sistema aberto de criação cênica em tempo real, pela descrição do processo artístico da Cia Ormeo (MG), montagem “Retina” (2009). Sistema aberto como modo de pesquisar improvisação através da criação de estratégias para ação na cena, sem determinações prévias de composição e construção narrativa, pautado em descobertas corporais, espaciais, temporais e sígnicas de sistemas complexos em interação – corpo e o ambiente (espaço físico e imagens visuais). Como referências, estudos contemporâneos de corpo (Morin, Damásio, Santaella, Santana), imagem (Aumont, Pareyson), Teoria Geral dos Sistemas (Bunge, Vieira), semiose (Pierce) e nos estudos improvisacionais partilhados com Paxton, Smith, Nelson e Duck, e das possibilidades do jogo (Spolin e Ryngaert).

Palavras-Chave: Improvisação, Corpo, Estratégias, Linguagens Cênicas, Tempo real.

  • Algo além da medida do possível

Débora Olívia Vieira
Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários – UFMG
Mestranda – Teoria da Literatura, Literatura e Outros Sistemas Semióticos – Or. Prof. Dr. Sara Rojo
Bolsa CAPES
Atriz, diretora e professora de teatro

Resumo: O artigo apresenta uma breve análise de duas manifestações cênicas chilenas contemporâneas: Carne de Cañon, do Colectivo de Danza La Vitrina, e Neva, do grupo Teatro en el Blanco, objetivando a destacar o papel ocupado pelo discurso artístico no período pós-ditadura: o de dar vazão à memória dos esquecidos, de oferecer corpo ao testimonio dos que foram calados. Tendo como subsídio teórico o legado de pensadores que de alguma forma abordam a relação entre memória, história e ficção (a saber, Walter Benjamin, Seligmann-Silva, Ricoeur), este texto pretende deflagrar a incapacidade da historiografia oficial em lidar com o testemunho (seja ele individual ou coletivo) e com a fragmentação de recordações intermitentes e deslocadas, limitação esta que conclama uma outra via discursiva: a ficção.

Palavras-chave: memória, história, discurso ficcional, testimonio, Chile

  • Teatro de Ocupação, Teatro de Intervenção

Denise Araújo Pedron
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – Instituto de Educação Continuada -
Professora
Doutora em Literatura Comparada – Universidade Federal de Minas Gerais
Artista, professora, pesquisadora

Sob o viés da fenomenologia (MERLEAU-PONTY), para a qual a experiência é também meio de produção de conhecimento, este artigo é uma análise de minha experiência como integrante do coro de noivas do espetáculo “Das Saborosas Aventuras de Dom Quixote de La Mancha e seu Fiel Escudeiro Sancho Pança”, do Grupo Teatro que Roda, sob direção de André Carreira, no Festival Internacional de Teatro de Belo Horizonte (FIT-BH), em 2010. Para tanto, utilizo as noções de performance, teatro de rua, intervenção urbana, atritando essas fronteiras, na tentativa de entender a experiência vivenciada como uma Zona Autônoma Temporária (HAKIM BEY) instaurada pela corporeidade da performer em sua relação de ocupação e intervenção no espaço da cidade.

Palavras-chave: teatro de rua, intervenção urbana, performance, experiência.

  • Anti-Artigo ou Artigo para Diferença

Diego Baffi
Programa Graduação em Teatro – FAP
Professor Assistente – Mestre em Artes – UNICAMP

Resumo: A pesquisa acadêmica em Arte, considerando a relação intrínseca processo – conteúdo, há de fluir no paradoxo de ter de ensinar estratégias de subversão aos próprios métodos empregados como imperativo da manutenção do processo de criação. Este artigo pretende ser proposição formal / conteudal de que a fruição de uma pesquisa em arte como diferença contamine a pesquisa por um léxico próprio. Em lugar de um relato (‘voltar a levar’) surge a idéia de um translato; em lugar do acontecimento morto, esquartejado e traduzido, surge a proposição da brincadeira conceitual, da busca (por seu caráter incerto, processual, contaminante) como método; objetivando a manutenção, no acontecimento da leitura, da capacidade da fundação de espaços de jogo poético a que se pretende o acontecimento artístico.

  • Fazendo Contato: A Dança Contato-Improvisação na Preparação de Atores.

Diego Pizarro
Programa de Pós-Graduação em Artes – UnB
Mestrando – Processos Composicionais Para a Cena – Or. Profa. Dra. Silvia Adriana Davini
Professor do Curso de Licenciatura em Dança – Instituto Federal de Brasília – IFB

Resumo: Este trabalho busca discutir uma possibilidade de aplicação dos fundamentos da dança contato-improvisação em uma prática de preparação para atores. Parte-se do princípio básico desta forma de dança que é manter contato físico com pelo menos uma pessoa de forma (in)constante. Todavia, pretende-se desenvolver o conceito de contato para que este passe a ser abordado de forma mais ampla. A partir desta premissa, e do trabalho a partir dos princípios básicos da dança contato-improvisação, são questionadas as potencialidades que esta prática pode contribuir na questão da contracena no teatro.

Palavras-chave: contato-improvisação, contracena, preparação de atores.

  • A processualidade da Distância

Dora de Andrade Silva
Programa de Pós-Graduação em Artes – Unicamp
Doutoranda – Artes Cênicas – Or. Profa. Dra. Antonieta Marília de Oswald de Andrade
Bailarina, Professora e Pesquisadora

Resumo: Durante os meses de dezembro de 2009 a março de 2010, o Projeto Distância desenvolveu com jovens das comunidades do Morro do Palácio e do Preventório em Niterói, RJ, um processo de criação onde foram utilizadas várias linguagens como a dança, o vídeo e a música na formulação de um objeto artístico realizado por partes que atuaram in loco ou à distância. O presente trabalho pretende discutir as particularidades deste processo colaborativo entendemos que a criação implicada nestes moldes determina novas incorporações ao processo de colaboração e aos criadores. Ao contrário de se configurar como barreira, a distância pode acarretar mudanças que produzem novos elementos para a obra, assim como uma nova processualidade para o intérprete.

Palavras-chave: arte, dança,  vídeo, processo criativo, colaboração, Ponto de Cultura, realização a distância.

  • A arte pública e o corpo despossuído de território no processo de urbanização.

Élder Sereni Ildefonso
Programa de Pós-Graduação em Artes – Unesp
Mestrando – Arte e Arquitetura – Orª. Profª. Drª. Carminda Mendes André
Ator/Bailarino Cia. Artesãos do Corpo

Resumo: Esta pesquisa tem como foco o centro da cidade de São Paulo, com relação às funcionalidades do espaço urbano e sua utilização pelos transeuntes que convivem no local, com análise do ritmo, da dinâmica, das relações sociais, da arquitetura, das paisagens visual e sonora, da urbanização e da ocupação do espaço. Tal análise visa caracterizar um lirismo urbano e seu potencial performativo, buscando elementos correspondentes aos utilizados na arte urbana, com especial atenção para o Festival Internacional Visões Urbanas, bem como mapear possíveis elementos correlatos entre vida urbana, arquitetura e criação artística. Através deste estudo,  acredita-se contribuir significantemente para a revitalização do ambiente urbano degradado com a ocupação e utilização artística do espaço.

Palavras Chave: Espaços performáticos, arte urbana, centro de São Paulo, Festival Visões Urbanas

  • Intervenção urbana – Paisagens Poéticas: O nome disso é rua

Elisa Belém
Programa de Pós-graduação em Artes (Artes Cênicas) – UNICAMP
Doutoranda em Artes (Artes Cênicas) – Or.: Dra. Suzi Frankl Sperber
Bolsa FAPESP

Resumo: Esta comunicação discorre sobre o processo de criação da intervenção urbana Paisagens Poéticas: o nome disso é rua. O projeto foi coordenado por mim e por quatro atores, sob suporte do Prêmio FUNARTE Artes Cênicas na Rua 2009 e apoio do 10º FIT-BH. A proposta para a criação dessa intervenção foi discutir as relações dos habitantes da cidade de Belo Horizonte com a rua. Elegemos “grupos sociais” para abordagem: moradores de rua, engraxates, carroceiros, familiares de pessoas desaparecidas. A intervenção foi constituída por ações dos atores, junto a integrantes desses grupos. Através de uma reflexão sobre esse processo de criação, discutiremos termos como “intervenção urbana”, “teatro de rua”, “performance” investigando as linguagens e o hibridismo na cena contemporânea brasileira.

Palavras-chave: Intervenção urbana, teatro de rua, performance

  • O corpo re-apresentado pela memória

Elisabeth Silva Lopes
Departamento de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo
Professor Doutor-MS3
Diretora e pesquisadora teatral

Resumo: A partir do espetáculo “Swimming to Spalding” de Liám Amarílis com direção de Richard Schechner me proponho a analisar as relações entre as representações do corpo – como o corpo, ações e imagens são recriadas pela memória. O espetáculo em questão serve como fonte para discutir conceitos e procedimentos do ator-performer recorrentes no teatro performativo, os quais transgridem as formas tradicionais de representação colocando em tensão o jogo entre passado e presente. Falar em performatividade/ teatralidade remete a esta memória de imagens paradoxais que elevam o corpo do ator de uma linha da tradição ao princípio da multiplicidade cultural, que faz do corpo teatral um lugar de subjetividades.

  • Os limites do espetáculo na Intervenção Urbana como experiência estética

Eloísa Brantes Mendes
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Bolsa PDS – FAPERJ
Professora Substituta – Instituto de Artes UERJ – Departamento Linguagens Artísticas
Diretora Coletivo Líquida Ação (Rio de Janeiro)

Resumo: A Intervenção Mitolorgias Urbanas: águas férteis, realizada em três Chafarizes barrocos (Rio de Janeiro) pelo Coletivo Líquida Ação em 2010, é o ponto de partida desta reflexão sobre os limites do espetáculo no contexto da arte urbana contemporânea. A Intervenção Urbana, enquanto experiência estética enraizada na materialidade do espaço urbano se diferencia do espetáculo centrado na organização cênica voltada para o olhar externo. Como procedimento artístico que se insere na economia do cotidiano vivido (Bourriaud) a Intervenção Urbana inventa pontos de contato inéditos com a realidade. Mas até que ponto o performer, como operador de circunstâncias que envolvem a participação dos espectadores, lida com os limites da sua própria atuação espetacular na configuração do acontecimento coletivo?

Intervenção Urbana – espetáculo – experiência estética

  • O corpo, apenas uma divagação.

Erika C. Cunha R. de Oliveira
GICHi – Grupo de investigação da Cena Hibrida – Unicamp.
Atriz e Pesquisadora.

Resumo: O corpo humano é o “objeto” (por não encontrar melhor palavra), talvez mais estudado várias áreas do conhecimento. O corpo muitas vezes é parte de um ideal social: buscamos transformar o próprio corpo na imagem do corpo ideal, expostos pelos meios de comunicação, em busca dos contornos perfeitos ou da saúde perfeita. Esse artigo é uma divagação sobre o corpo como fronteira em si e com o outro é um breve pensamento de como a experimentação dessa fronteira leva a construção de um “Corpo Subjetil”.

Palavras-chave: Corpo, experimentação, metáfora e fronteira

  • GERALD THOMAS APRESENTA: A PRIMEIRA BLOGNOVELA DA HISTÓRIA “O CÃO QUE INSULTAVA MULHERES, KEPLER, THE DOG” – Notas sobre questões de gênero artístico e sexual

Erlon Cherque Pinto
Universidade Federal da Paraíba (UFPB) – Professor Adjunto.
Doutor
Professor e Pesquisador do Departamento de Artes Cênicas da UFPB

Resumo: Gerald Thomas apresentou “O CÃO QUE INSULTAVA MULHERES, KEPLER, THE DOG” uma vez para um público em tempo real, momento em que também transmitia a obra online. O enunciado “A PRIMEIRA BLOGNOVELA DA HISTÓRIA” adquire valor de discurso ao propor o significado inauguração e delimitação de um novo gênero. Por outro lado, há também ali o silêncio eloquente na ausência de menção ao caráter teatral. Talvez o termo blognovela dialogue com o falso ou suspeito, alinhando-se com a simultânea ocorrência de resistência/transgressão de gênero artístico e sexual. A reflexão enfoca em que medida a difusão na internet, além de veículo ou meio de transmissão da obra, constitui-se em parte integrante do ato criativo. E ainda, indicar possível eixo de análise a partir da blognovela: registro ou representação?

  • Entre o teatro pós-moderno e o pós-dramático

Ernesto Gomes Valença
Programa de Pós-Graduação em Artes – EBA – UFMG
Doutorando – Artes Cênicas: Teorias e Práticas – Orientador: Prof. Dr. Ernani Maletta
Bolsa CAPES
Professor do Teatro Universitário da UFMG

RESUMO: No livro O Teatro Pós-Dramático, Hans-Thies Lehmann propõe o uso do termo pós-dramático para se referir ao mesmo universo teatral que há tempos vem sendo chamado de pós-moderno. O que está em jogo na mudança de nomenclatura é uma verdadeira mutação de todo um instrumental teórico, revelando facetas que já existiam naquelas manifestações teatrais. Aspecto pouco abordado é que esta mudança de paradigma também está diretamente ligada à argumentação de Lehmann de como este universo teatral pode ser entendido como uma expressão política de teatro. O presente artigo aborda as implicações políticas que o abandono do termo pós-moderno – e a consequente adoção do termo pós-dramático – podem gerar para a análise teatral, apoiando-se em especial na análise de Fredric Jameson sobre o Pós-Modernismo.

Palavras-Chave: teatro pós-moderno, teatro pós-dramático, teatro e política

  • Abismo entre a certidão de “nascimento” do cinema e o teatro de formas animadas

Fábio Henrique Nunes Medeiros
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas ECA/USP – Universidade de São Paulo
Doutorando – Teoria e prática do teatro – Or. Drª Ana Maria Amaral
Bolsista FAPESP

Resumo: A prévia explanação tem como fio norteador alguns fatos históricos certificados formalmente, como o “nascimento” do cinema, que são de cristais finos, ao ponto que se quebram com pouco manuseio. Em outras palavras, a investigação tem como premissa que técnica e estética cinematográfica são resultantes da combinação de uma gama de desenvolvimento científico e artístico, de várias autorias, inclusive espaçadas temporal e espacialmente. E uma parte arqueológica da chave desse baú pode estar no teatro de formas animadas, especificamente no teatro de sombras. Sendo assim, essa abordagem tem como objetivo escavar o dedo desse esqueleto, no intuito de levantar mais provocações acerca do intercruzamento destas linguagens.

Palavras-chave: Teatro de Animação; “nascimento” do cinema; intercruzamento de linguagens

  • Consertando o mundo – os pranks dos Yes Men

Fabio Salvatti
Professor Adjunto I – Bacharelado em Artes Cênicas – UFSC
Doutor em Artes Cênicas – USP

Resumo: O ativismo político do coletivo Yes Men aposta em ações espetaculares com elevada dose de teatralidade. Grandes corporações, governos e instituições supranacionais como a Organização Mundial do Comércio são os alvos preferenciais de seus pranks. Os integrantes dos Yes Men se fazem passar por executivos destas empresas ou instituições e proferem palestras nas quais sublinham de forma irônica ou paródica suas práticas neoliberais. Com isso pretendem uma “correção de identidade”, ou seja, que sejam substituídas as imagens falsamente imaculadas destas instituições por outras mais condizentes com a realidade. A opção pelo prank, que desconsidera qualquer distinção entre prática artística e ativista, se oferece como um campo cuja teatralidade pode ser examinada.

Palavras-chave: Pranks, Teatralidade, Yes Men

  • Ventos que Animam a Terra: voz-encarnação do imaginário no espetáculo Rosário

Felícia de Castro Menezes
Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas – UFBA
Mestranda – Poéticas e Processos de Encenação – Or. Prof.ª Dr.ª Meran Vargens
Professora adjunta II da Escola de Teatro – UFBA

Resumo: O presente trabalho é parte de pesquisa de mestrado em andamento e reflete uma pesquisa vocal que se ancora nos princípios técnicos do Lume Teatro, em relação com matrizes vocais de manifestações brasileiras. O lugar de investigação é o espetáculo Rosário, atuado e concebido por mim, e processa como estas abordagens se articularam gerando dramaturgias. Norteada pela noção do corpo-memória de Grotowski e pelo treinamento vocal ancorado no trabalho físico, examino o entendimento de voz como ação física (ação vocal), tanto nos elementos técnicos quanto nas manifestações culturais. Trago como aporte teorias do imaginário e da mestiçagem, estabelecendo um diálogo com o conceito de trajeto antropológico de G. Durand e de tradução cultural de P. Burke, entrevendo como engendram estas conexões.

Palavras-chave: espetáculo Rosário; matrizes vocais; manifestações brasileiras; ação física; imaginário; mestiçagem;

  • Da Pedra à tela: aproximações para um roteiro teatral

Fernanda Areias de Oliveira
Departamento de Artes – UFMA
Tutora – Mestre em Educação, Arte e História da Cultura – Mackenzie

Resumo: Esta pesquisa busca lançar um olhar acadêmico sobre a questão da linguagem teledramatúrgica e sua inspiração teatral, especificamente na microssérie A Pedra do Reino.Pretende-se chamar a atenção para um produto midiático que conseguiu articular linguagens pouco convencionais ao meio televisivo, como o teatro, e a narrativa não linear. Para isso, este artigo se debruçou sob o processo de parceria entre o autor do romance, Ariano Suassuna, o diretor da microssérie, Luiz Fernando Carvalho.
Neste contexto, análise de A Pedra do Reino foi explorada como suporte para comprovação de uma articulação possível entre teledramaturgia e teatralidade.

Palavras-chave: Teledramaturgia, Teatralidade, Narrativa não linear.

  • Vocabulário Poético do Ator

Fernando Aleixo
Programa de Pós-Graduação em Artes – UFU
Professor Permanente – Doutor em Práticas e Processos em Artes
Professor do Curso de Teatro – Universidade Federal de Uberlândia

Resumo: O trabalho apresentado é resultado de pesquisa que investigou uma possibilidade
de constituição do que acabamos por denominar Vocabulário Poético do Ator. O
percurso do trabalho foi constituído pela identificação, elaboração, aplicação e
verificação de um conjunto de atividades práticas-reflexivas voltadas para o
desenvolvimento técnico-criativo do ator, a partir da perspectiva da
corporeidade da voz e da dramaturgia do corpo. Esta sistematização foi
estruturada a partir de dimensões circunstanciais – tríplice circunstância – por
meio das quais os princípios do silêncio, da rasura e da escrita delimitaram um
campo de estudo do saber sensível como fundador da escrita poética da cena.

Palavras Chave: processo de criação, corporeidade da voz, voz poética,
dramaturgia do corpo, teatro contemporâneo.

  • As trajetórias da dança afro americana: a contemporaneidade da Urban Bush Women Company.

Fernando Marques Camargo Ferraz
Programa de Pós-Graduação em Artes IA-UNESP (mestrando)
Estética e poéticas cênicas.  Or. Profa. Dra. Marianna F. M. Monteiro.
Bolsa CAPES.
Discente de PPGs, bailarino.

Resumo: O artigo analisa as estratégias dos artistas da dança afro americana em seus processos de criação. Toma como estudo de caso o espetáculo apresentado pela Companhia Urban Bush Women em março de 2010, na capital paulistana. A pesquisa, através de apontamentos históricos, intenta mostrar a diversidade desta expressão na contemporaneidade, assim como, levantar questões sobre as ressonâncias destes arranjos no cenário artístico brasileiro.
São temas as formas pelas quais os coreógrafos concebem a dinâmica entre tradição e criação, ou seja, como as particularidades de um vocabulário corporal étnico são assimiladas, recriadas e experimentadas na dança contemporânea. A partir das releituras deste universo corporal diaspórico, identificar elos entre atuação artística e identidades sociais.

Palavras-chave: dança-afro americana, dança contemporânea, Urban Bush Women, Pearl Primus.

  • A Incidência da Tecnologia na Percepção Humana: do ouvido ao olho

Fernando Martins
UnB/ IdA/ PPG-ARTE – Mestrando em ARTE
Processos Composicionais para a Cena – Orientação Prof.ª Dr.ª Silvia Davini
CAPES
Professor Substituto do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília, Mestrando do Programa de Pós Graduação em Arte do Instituto de Artes da UnB, Integrante do grupo de pesquisa Vocalidade & Cena, vinculado ao diretório de grupos de pesquisa do CNPq.

RESUMO: A interação entre homem e tecnologia oferece um vasto campo de argumentação sobre as definições de sujeito e suas relações com o outro e o mundo. Essa interação incide, portanto, na percepção humana sobre a vida e a arte. Nesse sentido, a tecnologia da escrita, como representação da palavra, opera certo tipo de restrição na experiência da cena, transportando o homem do mundo da audição e das histórias fantásticas para o homem do olho e suas experiências solitárias.

  • Janelas expressivas: Cláudia Simas, artes visuais e lesionados múltiplos.

Fernando Pinheiro Villar.
UnB.
Professor Adjunto. Ph.D. University of London.
Autor, encenador, diretor e professor.

Dialogando com a temática central deste Congresso, este artigo busca uma primeira mirada sobre o trabalho da artista plástica, professora e pesquisadora Cláudia Gunzburger Simas dentro da Rede SARAH, em Brasília (DF). Simas atende pacientes com lesões múltiplas e é responsável pela reconstrução e ampliação da capacidade de comunicação dessas diferentes pessoas lesionadas, por meio do universo de recursos, elementos, técnicas e alternativas da linguagem das artes plásticas.

Palavras-chave: Arte, reabilitação, linguagem, comunicação.

  • O ‘entre lugar’ invisível do corpo-em-arte.

Flávio Rabelo. Colaboração Renato Ferracini.
Programa de Pós-Graduação em Artes – Unicamp.
Doutorando. Corpo-em-arte; performance art. Or. Pr.Dr. Renato Ferracini
Pesquisador/performer da Zecora Ura (zecoraura.com)

Resumo: Este artigo se propõe a debater os paradoxos entre o ‘visível’ e o ‘invisível’ que atravessa o processo criativo do corpo-em-arte. Para isso, faremos uma aproximação entre estes conceitos e a noção de atuais e virtuais (Lévy, 1996); sobrepostos as diferenças entre ‘ver’ e ‘olhar’ lançadas por Gil (2005). Em nossa abordagem, acreditamos que o acontecimento artístico se dá nesta zona limiar, neste ‘entre lugar’ dos fluxos atuais e virtuais que atravessam o corpo-em-arte. Esse território do invisível pensado enquanto materialidade expandida do corpo; visto também como potência do espaço, ou o espaço em potência. Passando a ser corpo-espaço de encontro: encontro entre arte e vida, entre o ‘eu’ e o ‘outro’. Invisibilidade como potência de alteridade e coletivização.

Palavras-chave: corpo-em-arte; processos criativos; visível; invisível

  • (Auto) biografia na cena contemporânea: entre a ficção e a realidade.

Gabriela Lirio Gurgel Monteiro
Professora Adjunta de Direção Teatral da ECO-UFRJ
Pesquisa “A teatralidade cinematográfica e o uso de novos dispositivos na criação de imagens“/ bolsa PIBIC.

Resumo: Na cena contemporânea brasileira, assistimos a um crescente interesse pelo relato biográfico como parte inerente da criação dramatúrgica. Entre a ficção e a realidade,  palavras e imagens se articulam na busca por um lugar híbrido de investigação: narrativas que partem da vida pessoal dos atores são ficcionalizadas no palco na busca pela identificação do espectador em um espaço coletivo de representação. O encontro com o público pode ainda inserir novas histórias em forma de depoimentos que apontam para a necessidade de arquivar, documentar, preservar narrativas que se transformam em   “documentos cênicos”.  Esta pesquisa pretende investigar o relato documental em “Otro”, de Enrique Diaz e “Festa de separação”, de Janaína Leite e Fepa.

Palavras-chave: depoimento, biografia, ficção, teatro contemporâneo.

  • Análise sobre a hibridação da linguagem Cênica e Cinematográfica nos Filmes de Teatro

Gabriela Pereira Fregoneis
Programa de Pós-Graduação em Teatro – UDESC
Mestranda – Teatro, Sociedade e Criação Cênica – Or. Profa. Dra.Vera Colaço e Co-or. Prof. Dr. Matteo Bonfitto.

Resumo: A inserção do uso de mídias na arte teatral, em seus diversos campos estéticos, é uma prática recorrente utilizada por inúmeros diretores nas montagens da contemporaneidade, podendo citar Robert Wilson, Robert Lepage, Peter Brook, Ariane Mnouchkine, Romeo Castelucci, Tadeuz Kantor, Carmelo Bene, Antônio Araújo, Zé Celso, dentre outros. Dentro deste imenso e singular universo midiático, este artigo visa refletir sobre a hibridação das linguagens cênica e cinematográfica nos Filmes de Teatro. O objetivo maior é confrontar como o conteúdo da linguagem teatral pode ser mantido em uma forma essencialmente cinematográfica, sem que perca as características da primeira.

Palavras-Chave: Teatro, Cinema, Filmes de Teatro.

  • Paisagens existenciais: cartografia Simpatia Full Time.

Giorgia Barbosa da Conceição Saidel
Faculdade de Artes do Paraná – FAP / Grupo de Pesquisa Artes e Performance
Especialista em Literatura Dramática e Teatro – Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR
Performer, atriz, diretora, figurinista, videoartista  – Companhia Silenciosa.

Resumo: Como pensar a cartografia de uma criação peformática que objetiva materializar-se em diferentes mídias? Vídeo, presença ao vivo, mostras de processo, corpos híbridos em carne ou papel – plotados, dançados, vestidos ou nus. Esse é um relato reflexivo de Simpatia Full Time, work in progress realizado durante três anos por três artistas. A construção do gênero e suas relações cambiantes com diferentes espaços; ícones femininos; políticas identitárias vigentes; o processo de construção midiática da identidade brasileira e feminina baseada em padrões fixos; o espaço urbano e suas potencialidades. A antropofagia oswaldiana como metodologia de criação, deflagrada como temática: a possibilidade de instauração de novas paisagens existenciais em constante reconfiguração através do ato criativo.

Palavras-Chave: Work in Progress; Mídias; Antropofagia; Subjetividade.

  • Entre Marcel Duchamp e um teatro pós-dramático: lugares para a experiência do sujeito na relação público e obra e objeto e sujeito.

Giselly Brasil

Programa de Pós-Graduação em Teatro – UDESC

Mestranda – teatro – Or. Prof. Dr. Edélcio Mostaço

Bolsa CAPES

Resumo: O artigo aqui sugerido tem como principal objetivo a discussão e a análise de rupturas que provocam a revisão de modelos dicotômicos e anunciam a criação de um novo terreno para o evento da arte na contemporaneidade. Sujeito e objeto, antes separados, se abrem para se constituírem mutuamente, assim como obra e público. Nesta abertura se entrelaçam conceitos que categorizavam e delimitavam distintas posições para aquilo que se convencionou chamar de obra de arte e público. Relações são sugeridas e um entre-lugar favorece a abordagem da arte como fenômeno estético. Neste contexto, pressupostos de Marcel Duchamp sobre a ativação do público serão confrontados com apontamentos sobre um teatro pós-dramático sugerido por Hans-Thies Lehmann.

Palavras-chave: Marcel Duchamp, teatro pós-dramático, arte contemporânea e experiência estética.

  • Retomada teórica de um percurso de criação teatral proposto pelo Teatro da Vertigem.

Guillaume Pinçon
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Doutorando – Poéticas da Cena – Or. Prof. Dr. José da Costa Filho
Bolsista do Colégio Doutoral Franco-Brasileiro

Resumo: Retomarei neste texto o experimento da criação teatral proposta por Antônio Araújo e Sergio Siviero na oficina que ministraram em Paris, em convite da associação ARTA. Desenvolvendo uma descrição analítica, tratarei de ressaltar indícios da concepção estética própria ao Teatro da Vertigem. Uma visão do teatro enquanto verdadeiro percurso em que os criadores atravessam territórios e mundos a favor de um espetáculo por vir, a despeito da ausência de uma idéia de resultado final. A dinâmica do percurso consiste mais num duplo movimento contraditário entre de um lado a multiplicação de elementos dados e/ou criados e do outro a procura incessante das suas “reduções” num proposta cênica única e nesse sentido co-incidente.

  • Luiz Carlos Mendes Ripper, educação, arte e vida: conexões e vibrações

Heloisa Lyra Bulcão
Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Doutoranda - Processos e métodos da criação cênica – Or. Profa. Dra. Lidia Kosovski, co-or. Prof. Dr. Aldo Victorio Filho – PPGArtes – UERJ
Bolsa REUNI
Cenógrafa e designer

Resumo: A presente comunicação procura trazer a contribuição de Luiz Carlos Mendes Ripper para a educação e a emancipação social por meio da arte, em interseção com a visão de Boaventura de Sousa Santos. A partir da percepção de Boaventura de que é preciso não dissociar o político do epistemológico, transpondo para os ambientes onde cabe pensar o conhecimento e a educação voltados para a formação artística, podemos entender os procedimentos de Ripper como caminhos para o desenvolvimento da arte como forma de emancipação, não só para os sujeitos que a praticam, como para toda a sociedade à qual pertencem.

Palavras-chave: Luiz Carlos Mendes Ripper, educação, emancipação

  • Responsabilidade epistemológica.

Humberto Issao Sueyoshi
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – USP
Mestrando – Teoria e Prática do Teatro – Or. Profa. Dra. Silvia Fernandes da Silva Telesi
Bolsa CAPES
Diretor do grupo TOPA da Cooperativa Paulista de Teatro

Resumo: O presente artigo tem por objetivo realizar um levantamento de questões referentes às fronteiras entre as atividades de coleta e produção de dados e a responsabilidade da difusão da pesquisa na área de Teoria e Prática do Teatro. Tendo como parâmetro a atividade de pesquisa como bolsista CAPES dentro do programa de pós-graduação em Artes Cênicas na Universidade de São Paulo. Trata-se da busca por pistas metodológicas para a realização da transmissão das atividades mediante a responsabilidade ética do pesquisador como integrante do corpo estatal brasileiro. Ao mesmo tempo, de se explicitar as atividades desempenhadas durante a pesquisa, tendo em vista a necessidade de transparência entre os recursos aplicados e ações executadas pelo pesquisador.

Palavras Chave: Capes, Ética, Epistemologia, Metodologia, Responsabilidade.

  • MEU NOME É  LEGIÃO: o sujeito, o sentir e o conhecer nas artes

Isa Maria Faria Trigo
Universidade do Estado da Bahia-Professor Titular
Doutor Artes Cênicas – PPGAC-UFBA
Diretora Teatral

Resumo: E se o sujeito da pesquisa for uma legião? A máscara, flor do coletivo, e um afoxé na ladeira nos fazem pensar naquele que pesquisa em artes. Aqui, quem observa? Quem age? Quem sente? O que é um tecido de olhares? Como se constroem percepções de eventos? Como criar parâmetros de análise? Festas e espetáculos podem ser pensados como modelos do tratar e do sentir na construção do conhecimento científico? Que tecidos perceptivos e imaginários eles criam? Retomo as corporeidades de encruzilhada tratadas na ABRACE 2000. Nossas construções de sujeito(s), sujeições e interlocuções. Talvez.

Corporeidade, pesquisador.

  • A Dança em Cena no Ciberespaço

Isabel Cristina Vieira Coimbra Diniz
Programa de Pós-Graduação em Estudo Lingüísticos – UFMG
Doutoranda – Linguagem e Tecnologia – Orientadora. Profa. Dra. Ana Cristina Fricke Matte
Professora do Departamento de Educação Física (área de Dança) – UFMG
Mestre em Educação Física

Resumo: A problemática deste trabalho trilha no entroncamento por onde passam o ciberespaço, a dança como linguagem e a linguística com uma abordagem semiótica. Trata-se da relação entre linguagem, pensamento, conhecimento, dança e realidade virtual. Partimos da hipótese de que em meio ao excesso e grande variedade de publicações e informações no YouTube, o sujeito-destinatário possa encontrar, acessar, fazer leituras, extrair e interagir com textos em dança (publicados na web), produzindo sentido e conhecimento. Outro ponto hipotético é que a dança como discurso abarca inúmeras técnicas de expressão na qual o arranjo do fluir da experiência teórica e prática do ser-dançante-destinador faz um recorte de sua interpretação de mundo e de “coisas”, gerando sentido através de seu próprio corpo-emoção.

Palavras- Chave: Dança, linguagem, semiótica e tecnologia

  • Criação desierarquizada em teatro e o processo de negociação de subjetividades

Jandeivid Lourenço Moura
Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea – UFMT
Mestrando – Poéticas Contemporâneas – Or. Profa. Dra. Maria Thereza Azevedo
Bolsa CAPES
Diretor, Ator, Produtor Teatral – Confraria dos Atores – Cuiabá-MT

RESUMO: Dentro de processos de criação coletivos ou colaborativos as hierarquias são eliminadas ou revistas. Funções como direção, atuação, iluminação, sonorização são transformadas. O que as relações de poder interferem na livre criação? O que realmente é um processo não impositivo e o que isso influência na manifestação das vontades de cada envolvido? Na trilha de entender as características desse tipo de teatro feito contemporaneamente o presente artigo objetiva construir um pensamento em torno desse processo de negociação das subjetividades dos envolvidos, que resulta em processos e espetáculos polifônicos e rizomáticos, partindo do pensamento de Michel Foucault articulando com as teorias de Guattari e Deleuze sobre subjetividade.

Palavras-Chaves: Processo, Grupo, Poder, Rizoma, Coletivo

  • Para pensar o lugar da performance

Joevan Oliveira
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFRN – Mestrado
Performance – Prfª. Drª. Naira Ciotti
Bolsa CAPES – Pró-Cultura
Ator do Grupo Graxa de Teatro – Paraíba

Resumo: Tendo em vista a denuncia pós-moderna de superficialização da cultura, caracterizada pela saturação de modelos e gêneros artísticos no cotidiano, aliada as características comunicacionais do sistema de arte contemporâneo que reduzem o objeto artístico a simples signos que circulam no sistema fechado que caracteriza sua rede e a legitimam, enquanto mercado de informação, relaciono a ideia de morte da arte com a construção de não-lugares no âmbito artístico. Ao mesmo tempo, identifico a performance, por seu caráter temporal e não reprodutivo como um exemplo de expressão artística que na pós-modernidade ainda consegue criar lugares identitários e relacionais no campo da arte.

Palavras chaves: Performance, Morte da arte, finitude, não-lugar.

  • MEDO, TRANSGRESSÃO E MEMÓRIA NO TEATRO DE TADEUSZ KANTOR

Jolanta Rękawek
Núcleo de Estudos da Espetacularidade
Doutora em teatro, performance, cinema
Professora Adjunta, Departamento de Letras e Artes – UEFS

Resumo: Tadeusz Kantor (1915-1990), não era um herói impávido, mas um artista indefeso que se situou em frente do medo. Pintor e diretor de teatro polonês adotou como seu credo artístico a sensação do pavor do aluno apontado pelo professor. O artista elaborou a sua proposta de vanguarda baseada na sua confissão pessoal na qual proclamou a lei da transgressão do código do procedimento teatral. Kantor aproveitou a lógica gramatical da decomposição que o levou à abolição do texto dramático e à destruição da ilusão. Impôs o código da repetição em lugar da representação e convocou no palco o ator forasteiro que opera como qualquer objeto da realidade da categoria mais baixa. A memória é no seu Teatro da Morte o elemento fundador que questiona a legitimidade do visível e celebra o tempo consumado.

Palavras chave: memória, vanguarda, Tadeusz Kantor.

  • Subjetivações e biopolítica: os devires do mundo na cena

José Da Costa
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Professor Adjunto – Doutor em Literatura Comparada – UERJ
Bolsista Pq – CNPq

Resumo: Giorgio Agamben e Gilles Deleuze dão explicações distintas a propósito da noção de dispositivo de Michel Foucault. O primeiro enfatiza o aspecto totalizador e inescapável da dominação como forma de se subjugarem os indivíduos no interior do dispositivo. Deleuze chama a atenção para uma idéia de subjetivação como maneira de escapar às linhas de força, às formas de padronização e normalização dos indivíduos e das sensibilidades. Tendo em mente a referência a esses e outros autores (Giuseppe Cocco, Peter Pál Pelbart, Eduardo Pavlosvski e Josette Feral), dentro e fora dos estudos teatrais, pretendo expor meu esforço atual de discussão do teor político singular do teatro contemporâneo.

Teatro contemporâneo – Teatro e subjetividade – Teatro e biopolítica

  • O Objeto Cênico e o Sujeito – História, Memória, Interrelações

José Fernando A. Stratico

Professor Associado do Departamento de Música e Teatro – Doutor em Artes Cênicas – Universidade Estadual de Londrina

Resumo: Este é um estudo sobre a presença do objeto cotidiano no teatro e na performance, de modo a propor uma história para esta presença. Assim, é enfatizada a relação entre o objeto e seu sujeito, em que história, memória e interrelações permeiam a obra artística. A arte contemporânea articula um espaço de intensa re-significação e deslocamento do objeto, que passa a habitar um terreno transdisciplinar, híbrido, cujo centro é marcado pelo encontro com o outro. Com base na análise do objeto como um território de encontro de sujeitos, são apresentadas perspectivas para a cena contemporânea que se fundamentam numa discussão geral entre a estética do cotidiano, a estética conectiva e os dilemas técnicos da tradição artística.

Palavras-Chaves: objeto cênico, objeto e sujeito, memória.

  • A ficção interrompida: distanciamento e imersão no real como estratégias de representação crítica

Julia Guimarães
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFMG
Mestranda – Teorias e Práticas – Or. Prof. Dr. Maurílio Rocha
Repórter de cultura do jornal O Tempo (Belo Horizonte)

Resumo: No teatro contemporâneo brasileiro, uma prática bastante explorada nas encenações tem sido a ruptura com a ficção, seja através do distanciamento brechtiano – que toma o teatro épico como base para instaurar uma quebra na ilusão cênica e convocar o espectador a refletir sobre a realidade exterior ao teatro – ou pelo viés da imersão no real, ato que consiste em anexar fragmentos da realidade no interior da ficção teatral em busca de potencializar ambas as esferas. Neste artigo, pretendemos analisar quais efeitos esses dois recursos trazem para a representação cênica contemporânea, ao refletir sobre a dimensão política de tais práticas e investigar suas aproximações e diferenças.

Palavras-chave: representação, efeito de distanciamento, imersão no real, teatro político.

  • Poéticas colaborativas no cinema brasileiro

Juliana C. Curvo
Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea – UFMT
Mestranda – Poéticas Contemporâneas – Or. Profa. Dra. Maria Thereza Azevedo
Bolsa Capes

Resumo: Cena realizada com improviso, sem supremacia de texto ou diretor; o ator incorporando outras vozes ao seu discurso; artistas trabalhando juntos. Traços de uma dramaturgia coletiva, não olhando o palco, mas a tela. Uma pesquisa que busca elementos de desterritorialização, de quebra da identidade, de entrada de novas parcerias e tecnologias, na feitura cinematográfica, ficcional, brasileira, contaminadas por práticas colaborativas do teatro. Analisou-se filmes de BELMONTE, GOLDMAN e BODANSZKY, buscando a ação-cênica expandida ao fazer fílmico. Utilizou-se conceitos de Bakhtin, Aumont, Deleuze e Boavida & Ponte. A principal questão é a fronteira entre cinema e teatro, suas contaminações e hibridações. Em uma negociação que, supõe-se, resulte um fazer artístico dito contemporâneo, pós-dramático.

Palavras-chave: Teatro colaborativo; cinema brasileiro; hibridação.

  • Tempo de jejuar e resistir – A presença do kung fu no treinamento do ator: uma experiência extracotidiana em proposição épica

Juliana Rocha de Oliveira
Programa de Pós-Graduação em Artes – Mestrado UNESP
Mestre em Artes
Orientadora artística – Projeto Ademar Guerra – Secretaria de Estado da Cultura – SP

Resumo: Aproximando as duas artes: teatral e marcial – kung fu, termo que tem como um de seus significados a capacidade de aguentar jejum e resistir – vislumbrei desenvolver, com os envolvidos em um processo teatral, potencialidades que foram vivenciadas na preparação corporal destes como atores, iniciando pelo treinamento para se chegar ao ensaio e por fim o espetáculo, proporcionando um maior domínio do corpo, que se tornou mais expressivo para a criação. Nesse sentido, esta investigação objetivou refletir e discutir a aplicabilidade de elementos do kung fu, em seus aspectos de treinamento físico, mental, filosófico e integracionista de forma a apresentar proposições sistematizadas de uma proposta organizada de trabalho para um processo de construção poética no teatro considerando o teatro épico.

PALAVRAS CHAVE: teatro, treinamento corporal, kung fu.

  • Percepção Física: método de conhecimento e ação para o corpo que dança

Jussara Janning Xavier
Programa de Pós-Graduação em Teatro – UDESC
Doutoranda – Teatro, Sociedade e Criação Cênica – Or. Profa. Dra. Vera Collaço
Bolsa PROMOP
Pesquisadora, diretora e curadora.

Resumo: Pesquisa acerca do método Percepção Física, desenvolvido pelo diretor Alejandro Ahmed junto ao Grupo Cena 11 Cia. de Dança (SC) desde 1993. Centrado no conhecimento do corpo e do movimento, o sistema sublinha um modo particular de aprender e estrutura-se em três elementos: percepção, adaptabilidade e controle. Enfatiza os limites e as possibilidades do corpo, incluindo seu potencial para transformar o espectador-cúmplice da ação. Dentre seus princípios pedagógicos estão a valorização da experiência, a união entre teoria e prática, a conexão com o ambiente. O treinamento, integrado às proposições cênicas contemporâneas da companhia, objetiva concretizar um projeto criativo próprio, incentivar novos modos de comportamento e ação do corpo que dança.

Palavras-chave: Corpo, treinamento, dança contemporânea.

  • O corpo que dança: inscrição poética no espaço-tempo

Karina Campos de Almeida
Programa de Pós-Graduação em Artes – Unicamp
Mestranda – Processos e poéticas da cena – Or. Prof. Dr. Eusébio Lobo da Silva
Bolsa Fapesp
Integrante da Cia. Terraço Teatro, da Seis + 1 cia. de dança e professora de dança contemporânea.

Resumo: Este artigo propõe-se a discutir algumas questões relacionadas ao processo criativo em dança contemporânea a partir do ponto de vista do artista que visa compor uma obra poética, potente e transformadora que dialogue com os diversos contextos em que está inserida e, ao mesmo tempo, se sustente na relação criativa com os próprios elementos técnicos/poéticos que a constituem. Como criar uma reorganização, um agenciamento diferente, uma ressignificação potente diante das materialidades com as quais trabalhamos para compor uma obra? Questões como estas serão discutidas e desdobradas no decorrer deste artigo sem que se pretenda chegar a respostas definitivas, mas tecendo considerações que possam colaborar no sentido de apontar caminhos possíveis para a composição em dança na atualidade.

Palavras-chave: imaginação criativa, processo criativo, composição, dança contemporânea.

  • Corpo em Vida: Qualidades da Presença Cênica no Limiar das Fronteiras

Keila Fonseca e Silva
Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas – UFRN
Mestranda – Pedagogias da Cena: Corpo e Processos de Criação – Or. Prof. Drª Teodora de Araújo Alves
Professora de teatro do curso de Tecnologia em Produção Cultural – IFRN

Resumo: Neste trabalho reflito sobre o processo criativo do ator-criador-pesquisador que, imerso em um treinamento solitário, encontra-se com as múltiplas vozes de sua história feita corpo. Considerando os aspectos psicofísicos do corpo cênico, parto da análise de um treinamento pessoal que contempla experiências corporais especialmente com teatro, dança e técnicas circenses, partindo do princípio que essas artes possuem princípios comuns que desencadeiam determinadas qualidades da presença cênica. Assim, discorro sobre a presença cênica no limiar das fronteiras.

Palavras-Chave: corpo – teatro – fronteiras

  • Mais processo que produto

Kenny Neoob C. Castro
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Doutoranda – Processos e métodos de criação cênica – Or. Prof. Dr. José Dias
Produtora Cultural – Universidade Federal do Rio de Janeiro

Resumo: Nas últimas décadas, os processos de resistência às mutações formais foram mais intensos no teatro do que nas artes visuais, porém muitos teóricos se viram obrigados a questionar estas resistências. Alguns textos, destes teóricos, foram bastante utilizados em cursos de Pós-Graduação em Artes Cênicas. Dentre eles, destaco o livro Teatro, teoría y práctica: más allá de las fronteras onde encontramos artigos que analisam o processo de criação e o fenômeno teatral em sua amplitude. Relacionar estas investigações à filosofia de Gilles Deleuze nos permite pensar o fenômeno teatral como processo e não como produto.

Fronteiras, Teoria, Processo, Féral, Deleuze.

  • Obras-em-confronto: possibilidades metodológicas de criação dramatúrgico-atorial

Larissa Elias
Doutora em Teatro – UNIRIO
Professora colaboradora do Projeto Ensino Médio Inovador – MEC/Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro; Integrante de Os Cênicos Cia. de Teatro.

Resumo: Obras-em-confronto propõe uma investigação de caráter teórico-prático acerca das possibilidades de produção de metodologias de criação, a partir do confronto entre três suportes. Um primário: as formações conceituais do conjunto espaço vazio, na poética de P. Brook; e dois secundários: a poética de Tchekhov, e o sistema de Stanislavski, lido a partir da poética tchekhoviana. O espaço vazio apresenta três desdobramentos principais (o vazio do lugar, o vazio instaurado pelo inusitado de um lugar qualquer, e o vazio do ator), os quais se constituem como procedimentos poéticos. Poder-se-ia dizer que o espaço vazio é uma espécie de ponto de coincidência de uma série de práticas e noções, que ele se perfila a uma variedade de componentes cênicos, e deles se projeta como uma sensação conceitual.

Peter Brook, Tchekhov, Stanislavski, espaço vazio

  • Música como Arte Cênica: uma abertura disciplinar

Lenine Vasconcellos de Oliveira
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Doutorando – Poéticas da Cena e do Texto Teatral – Or. Profa Dra Ana Maria Bulhões Carvalho
Professor do Departamento de Dança – UFRJ

Resumo: Este artigo discute o entendimento da Música como uma Arte Cênica, através do conceito de qualidade de presença cênica do músico. A principal questão é discutir como as diferentes qualidades de presença experimentadas pelo músico dentro de um espetáculo podem dialogar com os demais artistas da cena. O desdobramento pretendido consiste na proposição de uma reestruturação no nível formativo acadêmico, com o intuito de provocar o diálogo interdisciplinar entre áreas artísticas.

Palavras Chave: Música, Presença, Performance, Transdisciplinaridade

  • A Técnica Científica do Ator no Século XX

Leonel Martins Carneiro
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – ECA/USP
Mestrando – Teoria e Prática do Teatro – Or. Prof. Dr. Luiz Fernando Ramos
Bolsa CAPES
Professor do Departamento de Teatro – Paulínia-SP

RESUMO: O presente artigo visa discutir como é fundado, no século XX, o pensamento científico sobre as técnicas do ator. Refletiremos como este fenômeno, que tem início em Stanislavsky e vem à tona conscientemente na teoria de Brecht, resulta numa expansão científica da arte do ator. Buscaremos caracterizar as possibilidades que este encontro, entre teatro e ciência, oferece para as artes cênicas, tendo como recorte privilegiado a técnica de composição cênica a partir da dramaturgia da atenção.

Palavras-chave: Teatro, Ciência, Ator, Século, Atenção.

  • Diálogo entre o espaço da arquitetura moderna e o ambientalismo teatral.

Lidia Kosovski
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas / PPGAC-UNIRIO
Professora Adjunta/ Coordenadora do PPGAC-UNIRIO
Bolsista Jovem Cientista do Nosso Estado-FAPERJ.

Resumo: Este trabalho pretender verificar – a partir do campo dos estudos da Arquitetura , e do Teatro -, algumas das formas de apropriação do espaço do Museu de Arte Moderna da Cidade do Rio de Janeiro, pela cena artística na década de 1970.
Foca-se aqui  a obra de Luis Carlos M. Ripper, cenógrafo e encenador de Avatar de Paulo Affonso Grisolli no MAM em 1974, ao marcar o alinhamento das práticas teatrais com as artes plásticas e suas projeções conceituais, consagrando o MAM como ambiente ideal para a experiencias de interação entre a vida artística e a vida dos cidadãos cariocas.

Palavras chave – teatro-arquitetura moderna- ambientalismo

  • A precisão cênica em nível psicofísico: um estudo comparativo entre Jerzy Grotowski e Peter Brook sob a ótica do binômio reprodutibilidade/ organicidade

Lidia Olinto (Lidia Olinto do Valle Silva)
Programa de Pós-graduação em Artes – UNICAMP-IA
Mestranda – Fundamentos técnicos de poéticos do intérprete
Or. Prof. Dr. Matteo Bonfitto (UNICAMP) e Co-or. Prof. Dr. Tatiana da Motta Lima (UNIRIO)
Bolsa Capes/CNPq
Atriz e Dramaturgista

Resumo: A noção de ‘precisão cênica’ no sentido mais usual, coreográfico – no qual a tônica estaria voltada para a dimensão visível e audível da ação-física –, não contempla um ponto nevrálgico e complexo no ofício do ator: durante uma temporada, como fugir do mecanicismo no momento em que se quer repetir um desempenho, mantendo sua organicidade originária? Como alcançar certas qualidades psíquicas a cada apresentação? Partindo da hipótese de que há diferenças fundamentais entre a noção de precisão em nível formal e a noção de precisão em nível psicofísico, esta pesquisa propõe um estudo comparativo entre J. Grotowski e P. Brook, com o intuito de analisar como estes concebem e utilizam, metodologicamente, a precisão e outros aspectos ligados ao binômio reprodutibilidade/organicidade.

Palavras-chaves: precisão cênica, ação-física, reprodutibilidade, organicidade.

  • Dramaturgias do Corpo: Protocolos Performáticos de Criação

Lígia Losada Tourinho
Doutora em Artes – UNICAMP
Professora do Departamento de Arte Corporal – UFRJ

Resumo: As dramaturgias contemporâneas, desterritorializadas do texto, possuem característica polifônica e têm como uma das principais linguagens o corpo em movimento. O texto dramatúrgico do espetáculo é a tessitura de sentido que se constrói em cena. A dramaturgia deixa de ser um conceito singular e ganha uma dimensão plural e passa a ser um campo de discussão de todas as Artes da Cena. Para Kerkhove (1997) o que vem sendo chamado de dramaturgia atualmente refere-se à base de toda criação cênica. Para a dramaturga nos ocupamos todo o tempo da dramaturgia, mesmo quando pensamos não estar nos ocupando dela. Este trabalho pretende desenvolver uma discussão acerca dessas idéias apresentadas e abordar os modos de fazer dramaturgia nos dias de hoje como protocolos performáticos de criação.

  • O Trágico e o Clown: por uma poética patética de afirmação de vida

Luciane de Campos Olendzki
Departamento de Arte Dramática – UFRGS
Professora Substituta – Mestre em Educação – UFRGS
Atriz e palhaça

Resumo: A partir da noção de trágico em Nietzsche, conjuntamente com a filosofia de Deleuze especialmente em “Nietzsche e a Filosofia” (1976), pretende-se problematizar a presença do trágico na poética da cena clownesca. Trágico, não relacionado à classificação de gênero teatral que corresponde à tragédia, mas como efetuação de afirmação de vida e alegria trágica. Uma poética patética do clown na criação de formas de expressão e sentidos, no jogo das relações de forças, entre afetar e ser afetado. Tal artigo é relacionado à continuidade de pesquisa acerca da dissertação da autora: “Palhaçar: máscaras em uma patética-poética por rir” (UFRGS, 2009).

Palavras-chave: palhaço, trágico, dionisíaco, poética clownesca, máscara.

  • Onde e como está: o corpoalma de Honorato?

Luciano Oliveira
Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
Área de estudo: Poéticas Teatrais
Orientador: Dr. José Ronaldo Faleiro
Co-orientadora: Dra. Vera Collaço
Titulação: Mestrando em Teatro/UDESC e Especialista em História da Cultura e da Arte/UFMG.
Bolsa de Fomento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Atuação Profissional: Diretor, professor e produtor de teatro.

RESUMO: No presente artigo analiso o corpo e a alma do Honorato índio, boneco/personagem do espetáculo Cobra Norato (1979), do Giramundo Teatro de Bonecos. Para tanto, utilizo algumas metáforas para chamar a sua alma de espécie de energia em potencial e o seu corpo de corpo/instrumento. Por fim, mostro como o bonequeiro e artista plástico Álvaro Apocalypse criou este boneco/personagem e como ocorrem as trocas energéticas entre este boneco e entre o seu ator-manipulador.

PALAVRAS-CHAVE: metáfora mecanicista, filosofia mecânica, causas aristotélicas.

  • Sob a sombra de uma estética relacional: aspectos do colaborativo na poética contemporânea

Maicyra Teles Leão
Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas – UFBA
Doutorado – Corpo e(m) performance – Or. Profa. Dra. Sônia Rangel
Núcleo de Teatro – UFS
Coordenadora e Professora Assistente – Mestre em Arte Contemporânea – UnB

Resumo: A expressão processo colaborativo passa a ocorrer com mais freqüência nos anos 90 como forma de nomear um conjunto de procedimentos de criação onde a autoria tende a ser permeável, assumindo intersecções entre as funções previamente estabelecidas. Paralelamente, conceitos como o de uma Estética Relacional, cunhado pelo crítico Nicolas Bourriaud, busca apreender o contexto social e econômico que viabilizou a emergência desse tipo de postura, destacando a participação do público nas obras e a maneira como os artistas empregam estratégias da indústria de serviços e da pós-produção em seus trabalhos. Assim, o texto tem como finalidade extrair algumas das proposições levantadas por este conceito, reconhecíveis em processos criativos de composição de performances contemporâneas.

Palavras-chave: colaboração, processo relacional, performance

  • Cenas Transversais – análise de algumas produções de Bob Wilson na última década

Manoel Silvestre Friques
SENAI Cetiqt
Mestre em Artes Cênicas – UNIRIO
Professor do curso Bacharelado em Artes – Figurino & Indumentária

Resumo: No presente artigo são analisadas produções recentes do encenador norteamericano Robert Wilson, em especial sua exposição de retratos em vídeo Voom Portraits (São Paulo, 2009), a ópera Orfeu e Eurídice (Théâtre Musical de Paris Châtelet, 2000) e o espetáculo Dias Felizes (Belo Horizonte, 2010), com a companhia italiana Change Performing Arts. Procura-se observar alguns procedimentos, bem como suas combinações, transversais às três obras (a potência cromática, a recorrência a Beckett, o minimalismo gestual etc.) encarando-os como estratégias lançadas pelo artista para experimentar as possibilidades da cena no teatro, na ópera e no vídeo.

Palavras-chave: teatro, Robert Wilson, videoarte, retrato

  • A dança relacional da Cia. Andanças em Os Tempos: a encenação coreográfica como experiência dos sentidos.

Manoel Moacir.
Mestre em Artes Cênicas – ECA/USP.
Artista e Professor Assistente do Curso de Belas Artes/ Artes Cênicas da Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Resumo: Neste texto, procuro fazer uma análise crítica do espetáculo Os tempos, da Cia. Andanças, de Fortaleza (CE), observando o percurso de suas idéias coreográficas. São convocados os pensamentos sobre arte, política e performance de Jacques Rancière, Andréa Bardawil e Josette Fèral. Procuro entender a encenação coreográfica como experiência dos sentidos, a partir de referências aos objetos relacionais de Lygia Clark, em interação com o universo simbólico do espetáculo.

Palavras-chave: Corpo. Coreografia. Performance.

  • Performance,  Autobiografia e Pedagogia: intersecções

Mara Lucia Leal
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFBA
Doutoranda – Corpo e(m) Performance – Or. Prof. Dr. Fernando Passos
Professora Assistente do Departamento de Música e Artes Cênicas – Universidade Federal de Uberlândia
Apoio: FAPEMIG

Resumo: Este texto apresenta alguns apontamentos a partir da disciplina Interpretação V realizada com alunos do curso de teatro da UFU. A metodologia utilizada cruzou exemplos da cena contemporânea que trabalham com material autobiográfico para a composição da cena, teoria da performance e exercícios de percepção e memória como estímulo para o processo criativo dos alunos. A partir dessa imersão teórico-prática, cada aluno desenvolveu um programa de performance focado nos desejos pessoais. O objetivo aqui é refletir sobre a importância desses procedimentos e teorias para a formação do artista cênico.

Palavras-chave: Autobiografia, Cena Contemporânea, Performance

  • Sujeito objeto: o corpo no teatro de formas animadas na perspectiva da educação somática

Marcelle Teixeira Coelho
Programa de Pós-graduação em Teatro – UDESC
Mestranda – Poéticas Teatrais
Orientação  Profa. Dra. Sandra Meyer Nunes

Resumo: O papel do corpo no teatro no teatro de formas animadas ocidental por muito tempo foi tratado de forma secundária se comparado a atenção dada aos aspectos plásticos da matéria, ou seja, ao boneco/objeto. Porém, observa-se que a partir do final do século XX, concomitante com a difusão da manipulação a vista, há um crescente interesse sobre o desenvolvimento das habilidades corporais e expressivas do ator animador. Desde então, uma das propostas que vem a auxiliar o seu treinamento é a Educação Somática. Nessa perspectiva, o corpo não está dissociado da mente e do ambiente, rompendo com o paradigma cartesiano e questionando as fronteiras entre corpo e mente, interior e exterior, sujeito e objeto.

Ator animador – sujeito-objeto – Educação Somática – corpo

  • Arthur Lessac – A criação como experiência na corporeidade do ator

Márcia Donadel
Programa de Pós- Graduação em Artes Cênicas – UFRGS
Mestranda  – Artes Cênicas –  Or. Profa. Dr. Silvia Balestreri Nunes
Bolsa CAPES
Atriz-Pesquisadora

Resumo: Diante do conceito de “sabedoria corporal” apresentado por Arthur Lessac, no qual o corpo humano pode trazer à tona suas potencialidades através de uma incursão de autoconhecimento, é possível discutir o ato de criação do ator, levando-se em consideração as idéias de José Gil, ou seja, como uma “experiência” que nos invade e nos atinge o inconsciente. Arrisco dizer que a consciência não está completamente ou não necessariamente inatingível. Segundo Lessac, se pudermos aprimorá-la, resultando em uma prática “despadronizada” no volátil ato de criação teatral, uma experiência ao mesmo tempo “nova” e “revisitada” pode vir a ser impressa na corporeidade e impulsionar o “frescor” da vivência no processo de criação e em cena.

Palavras-chave: criação do ator, experiência, consciência.

  • Não coma que é cacaca — Artaud, antropofagia e corpo em José Celso Martinez Corrêa

Marcos Steuernagel
Departament of Performance Studies — New York University (NYU)
Doutorando — Estudos da Performance — Or. Prof. Dr. André Lepecki
Bolsa Corrigan (NYU) e Harvey Fellows (Mustard Seed Foundation)

Resumo: A influência de Artaud no trabalho de Zé Celso é amplificada pela antropofagia de Oswald de Andrade. A análise que Allen Weiss faz da dimensão escatológica do som /k/ na obra radiofônica Para Acabar com o Juízo de Deus abre um canal para ler a canibalização de Oswald e Artaud na montagem deste texto pelo Oficina e em O Rei da Vela, trinta anos antes. A antropofagia é uma reação no corpo à dominação intelectual colonizadora, e é em Zé Celso que a metáfora literária ganha um corpo artaudiano. Em uma carta de Rodez, Artaud escreve que a matéria da alma é caca, mas os corpos que são feitos em cena apontam também para uma política do corpo, pois é na construção do corpo antropofágico que o corpo social se torna capaz de digerir os eventos políticos da época.

Palavras-chave: Antropofagia, Antonin Artaud, José Celso Martinez Corrêa

  • Condições do Teatral – performance e espaço

Marcus Wesley Guimarães Rosa
Programa de Pós-graduação em Artes  – IA/UNESP
Mestrando – Artes –  Or. Profª Marianna Francisca Monteiro
Bolsa CAPES

Resumo: O artigo aborda questões relativas à cena teatral na sua proximidade com a performance. Tratando deste ‘teatro performático’, a partir de J. Feral, concentra-se nas condições de possibilidade do fenômeno teatral, operando nas fronteiras entre estético e não-estético. Postulam-se, por um lado, certa promiscuidade entre esses campos, por outro, um acento na sua descontinuidade irredutível. Nesse entrecho, é dado enfoque a questões acerca da espacialidade constitutiva da cena performática. Para tal, é abordada a montagem pela Cia. Elevador Panorâmico da peça A hora em que não sabíamos nada um dos outros, a partir de texto de Peter Handke.

  • A performance relacional e a segunda pessoa

Margie – Margarida Gandara Rauen
UNICENTRO, PR. – DEART, Professora Associada
Ph.D., Michigan State University
Grupo de Pesquisa em Artes – Processos Criativos

RESUMO
Nicolas Bourriaud, no livro A Estética Relacional, afirma que a co-existência é o critério-chave da arte relacional e duas perguntas informam a sua análise: “Esse trabalho me permite entrar em diálogo com ele? Eu poderia existir, e como, no espaço por ele definido?” (Bourriaud, 2002, p. 109). Ao expandir essas questões, considero tipos e graus de participação em primeira, segunda e terceira pessoas, examinando de que modo prevalece a segunda pessoa quando há interação direta com o público. Com a análise de dinâmicas de participação, abro perspectivas também para discutir tipos de tempo na performance (versátil e livremente utilizado; uniforme e coletivo), em processos criativos focados na multiplicidade e na manifestação do querer ver diferente.

Palavras-chave: interatividade, público, performance política

images/115.png

  • Treinamento, ensaios e cena: pontes sobre o abismo

Maria Alice Possani
Universidade Estadual de Campinas – Mestranda
Fundamentos Técnico/Poéticos do Intérprete – Renato Ferracini
Grupo Matula Teatro

Resumo: Esse texto trata do trabalho do ator sobre si: território onde se mesclam subjetividades e exercícios musculares, apreensão de técnicas e crescimento pessoal. Buscamos um treinamento que extrapola as paredes da sala e caracteriza-se por uma postura ética em busca de fissuras. Estado de busca e atenção constantes do ator em sua capacidade de ser afetado pelo mundo, da percepção de atravessamentos inesperados e da sabedoria em fazer, desses instantes, movimento criativo. Para isso incluímos o espaço da cena como território de “treino”. Acreditamos que diluir as fronteiras entre treinamento, ensaio e apresentação, tratando-os como lugar de geração de vivências, locais de potência e intensidades criativas, pode trazer para o ator maior apropriação dos elementos que caracterizam o seu fazer.

Palavras chave: treinamento, atuação, ética, aprendizado

  • Unhas Defeitas em UAI-UI – Performance por Corpos Informáticos

Maria Beatriz de Medeiros
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UnB
Professora Associada – Pós-doutor em Filosofia – CIPh
Bolsista Pq – CNPQ

RESUMO: O presente texto faz uma reflexão acerca da composição urbana denominada “Unhas Defeitas em UAI-UI”, performance realizada em 2010, em Brasília, no Festival 1277 minutos de arte efêmera, CONIC. O CONIC é a antena do movimento e da circulação na capital federal. Seus corredores respiram a contradição e a multiplicidade: cinemas pornôs ao lado de igrejas evangélicas e sindicatos dividindo espaço com o Hip Hop. Partindo do princípio da agregação, o Grupo de Pesquisa Corpos Informáticos realizou, por propulsão, o afloramento de desejos do público. As ações se mostraram excentricidades precisas no que se refere a alguns elementos usados pelo grupo: o esmalte e o batom nos entornos. Foi utilizada uma escrita-arte que se aproxima da pele e se distancia do verbo.

PALAVRAS-CHAVE: Composição Urbana, arte efêmera, propulsão.

  • Improvisação performativa e a arte de Étienne Decroux

Maria Beatriz Mendonça (Bya Braga)
Professora Adjunta – Curso de Teatro/UFMG
Doutora em Artes Cênicas -UNIRIO
Atriz, diretora cênica.

Resumo: A criação improvisada pode ser “zona borrosa” mesmo no campo investigativo de uma “ciência da representação teatral”. A improvisação performativa na arte de Étienne Decroux, mesmo vivenciada dentro de um caminho técnico com formalização de repertórios distintos, também expressa traços fugidios da expressividade do performador. Como dizer desta “maneira” decrouxiana de improvisar? Como criar diálogos com outras experiências no campo da improvisação cênica? Improvisar com a arte decrouxiana é revelar um saber específico e em uma expressividade com linguagem cênica fronteiriça. Uma expressão como ela, “borrosa” ou não, necessita de ciências “afetivas” para ser percebida.

Palavras-chave: Improvisação, performatividade, Étienne Decroux, mímica corporal dramática.

  • A performance do boneco entre formas e imagens

Maria de Fátima de Souza Moretti
Doutoranda e professora da Universidade Federal de Santa catarina
Doutoranda em Literatura professora orientadora: Alai Garcia Diniz
Professora de teatro na Universidade federal de Santa catarina

Resumo: Este artigo pretende mostrar um panorama do teatro de animação na contemporaneidade, a multiplicidade de formas e estéticas e os caminhos do ator manipulador que está sendo cada vez mais exigido como artista completo.

  • A incidência da ciência moderna na tradição de pensamento das artes e a função da performance-art dentro dessa tradição de pensamento

Maria Gimena De Mello
Graduanda em Dança – UFRJ

Resumo: A performance-art desenvolveu um interesse especial pelos limites entre vida e arte  e colocou em questionamento a noção moderna de arte como ficção.
A ciência moderna situou a arte no domínio da ficção e desde então a subjetividade foi instituída como condição da produção artística. Assim, a ciência moderna progrediu ancorada na análise matemática e o método experimental, nos quais a subjetividade é submetida à objetividade do método. Para Gadamer (2002) o método cientifico é estéril ante a experiência estética da arte pois ela dissolve o sujeito e o objeto quebrando a tradição do método científico. O intuito deste trabalho é discorrer sobre a influência da ciência moderna no entendimento da arte como uma forma ficcional, afastada da vida cotidiana e da noção de produção de conhecimento.

Palavras-chave: Ciência moderna, Arte Moderna, Estética, Performance-art

  • Intertextos, sobreposições e construções identitárias em O Homem que Copiava

Maria Helena Braga e Vaz da Costa
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFRN
Professora Associada do Departamento de Artes – UFRN
Doutora em Estudos de Mídia
Bolsista Pq – CNPq

Resumo: Esse trabalho tece considerações sobre o cinema e algumas teorias sobre os conceitos de intertextualidade e identidade cultural. Pretende-se demonstrar, através de discussão e análise do filme brasileiro O Homem que Copiava (Jorge Furtado, 2002), como os conceitos mencionados se relacionam entre si construindo uma visão subjetiva e coletiva sobre a constituição da identidade do sujeito no contexto da pós-modernidade. A idéia de uma constante e permanente troca e sobreposição entre textos e representações; a eterna correlação entre as construções reais e subjetivas quanto à construção do imaginário coletivo conduzido pela noção de uma “perda” ou “crise” da identidade do sujeito na contemporaneidade são as diretrizes para a discussão e análise propostas.

Palavras-chave: Cinema, intertextualidade, identidade cultural

  • Artes Cênicas e Audiovisual: Territórios e Fronteiras reais e imaginários

Maria Heloisa Pereira de Toledo Machado

Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Arte

Doutorado em Paris III

Pós-Doutorado na Universidade de Lisboa

Professora Associada da Universidade Federal Fluminense/Instituto de Arte e Comunicação Social-IACS/Departamento de Cinema e Vídeo

Resumo: As fronteiras entre os territórios das artes cênicas e do audiovisual são claras e históricas. Sobretudo, se falarmos do cinema de ficção, onde o trabalho do ator e suas implicações com os campos da dramaturgia e da direção traçam um paralelo entre essas duas linguagens, verificaremos aproximações e distancias que sugerem reflexões e estudos.
Na praxis da pedagogia do ator, percorremos territórios semiológicos diversos e atuar para o teatro, a televisão, o vídeo-arte e o cinema nos leva a questões técnicas e seus desdobramentos estéticos e poéticas decorrentes. Pretendemos abordar os vários aspectos desses territórios correlatos demarcando e desmarcando fronteiras reais e imaginárias.
Dentro da pesquisa A ANÁLISE ATIVA NA DIREÇÃO DE ATORES PARA CINEMA, VÍDEO E TEATRO,  foi realizado um filme/espetáculo: CORRESPONDÊCIA, de Aberlardo e Heloisa, que seria exibido de forma resumida.

  • Mandala coletiva: Eu sou um outro você (Novo paradigma em ação)
Maria Julia Pascali
Doutora em Artes – UNICAMP
Professora de Teatro – Escola de Música e Artes Cênicas – UFG

Resumo: Utilizando um quadro comparativo com valores e critérios do Novo e Velho Paradigmas, podemos responder ao momento histórico com treinamentos para e criação coletiva com percepção e adoção de uma atitude onde se exercite: estado de presença, democracia, cidadania, auto-estima, sociabilidade e novas postura e visão diante do planeta e de todos os reinos. A Mandala Coletiva é uma prática de integração comunitária que congrega rito de passagem e arte.

Palavras-chave: Jogo Teatral; Treinamentos; Novo Paradigma em Açãocomparativo com valores e critérios do Novo e Velho

images/115.png

  • A subjetividade do ator, o Rei Lear e o clown

Marianne Tezza Consentino
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFBA
Doutoranda – Poéticas e Processos de Encenação – Or. Profª Drª Sônia Rangel
Bolsa CAPES

Resumo: Este artigo procura estabelecer relações entre a obra O Rei Lear, de Skakespeare e o universo grotesco, composto por palhaços, loucos e bufões. Esta reflexão integra a pesquisa de doutorado intitulada “A subjetividade do ator: uma jornada de invenção de mundos e de si mesmo através da técnica do clown”, na qual a autora desenvolve um estudo teórico-prático a partir da obra O Rei Lear e da técnica do clown, tendo como foco a busca por outros processos de subjetivação do ator na relação com si mesmo, com o outro e com o ambiente que o cerca.

Palavras-Chave: O Rei Lear; Clown; Subjetividade; Encenação.

  • O Improvisador em Fluxo Cartográfico.

Marina Elias
Programa de Pós-Graduação em Artes da Unicamp
Doutoranda – Fundamentos técnico poéticos do intérprete – Or. Prof. Dr. Eusébio Lobo da Silva.
Bolsa FAPESP
Professora do Departamento de Artes Corporais da UFRJ.
Integrante do Grupo de Pesquisa em Dramaturgias (DAC\UFRJ), e da Cia. Terraço Teatro. Diretora artística da Cia. SeisAcessos.

Resumo: O dicionário Aurélio define o improvisador como “o que improvisa/ Repentista”. Já o Dicionário de Teatro de Patrice Pavis não apresenta uma definição. Mas quem é o improvisador? Como defini-lo? “Experimentando o improvisador” em laboratórios distintos, proponho não uma definição, mas um mapeamento; uma cartografia de um improvisador em criação. Através da Zona do Improviso, verifiquei procedimentos e atributos do improvisador que o territorializam em fluxo cartográfico e em constante condição de vir a ser. Esta Cartografia de um Improvisador em Criação é uma questão de experimentação que se dá no encontro rizomático entre cinco forças relacionais indivisíveis e constituintes da criação: imaginação, pensamento, movimento, técnica e memória.

Palavras-chave: Improvisador, improvisação, criação, Zona do Improviso.

  • Novas empanadas

Mario Ferreira Piragibe
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Doutorando – Poéticas da cena e do texto teatral – Or. Prof. Dr. José da Costa Filho
Professor Assistente do Curso de Teatro do Departamento de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Uberlândia.
Apoio FAPEMIG

Resumo: Partindo da definição da empanada para o teatro de bonecos como a estrutura que visa ocultar o manipulador da platéia, a reflexão busca tratar de procedimentos de redução da impressão sobre o público do manipulador aparente no teatro de animação contemporâneo que podem ser comparáveis ao erguimento de empanadas procedimentais. Pretende-se avaliar um tipo de consideração do estado neutral para o manipulador como um recurso que busca restringir o partido cênico do animador à vista, apoiado na noção superada de que o boneco jamais poderá rivalizar com o ator vivo em termos de solicitação da atenção da platéia. A análise de casos revela que tais tentativas são ineficientes em seus pressupostos, e impedem que se lide de forma adequada com as possibilidades expressivas do animador aparente.

Palavras-chave: Teatro de animação; teatro de bonecos; teatro de formas animadas; empanada.

  • O trabalho do ator e o trabalho do performer

Matteo Bonfitto
Departamento de Artes Cȇnicas da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP
Professor Doutor – MS3
Ator, diretor e pesquisador teatral

Resumo: A partir de pesquisas feitas sobre esse tema, assim como de experiências pessoais, relacionadas ao fazer artístico, reconheço ao mesmo tempo divergências e convergências existentes entre o trabalho desenvolvido pelo ator e pelo performer. Independente da vastidão que caracteriza os respectivos campos de atuação explorados por eles, e das zonas de imbricação que envolvem tais campos, essas divergências e convergências são perceptíveis, e seu exame pode levar ao reconhecimento de implicações que vão muito além do puro tecnicismo e/ou esteticismo.

  • Dido e Enéas 2008: Ópera e Teatro Ambiental na Encenação de Antônio Araújo

Menelick Pixinine de Carvalho
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Mestrando – Processos e Métodos Cênicos – Or. Prof. Dr. Lidia Kosovski
Bolsa CAPES
Diretor Teatral e Ator
Resumo: Neste trabalho, analiso a encenação da ópera Dido e Enéas, produzida pelo Teatro Municipal de São Paulo em 2008, no interior de um galpão da nova Central de Produção Técnica, com a direção cênica de Antônio Araújo. O aproveitamento de recursos e conceitos associados ao chamado “teatro ambiental” traz à tona a discussão sobre a teatralidade operística, onde a tradição enfrenta contemporaneamente acomodações e rupturas. O sucesso de público e crítica obtido pela montagem indica uma mudança de paradigma da recepção do evento operístico. Compõem a comunicação: a exibição de trechos da montagem e a leitura de trechos de entrevistas com artistas e produtores envolvidos no evento, realizadas por mim para este trabalho.

Palavras-Chave: teatralidade operística; ópera; teatro ambiental; Teatro da Vertigem; Teatro Municipal de São Paulo.

  • A escrita como devir: a experiência com os meios eletrônicos na poética de Samuel Beckett

Michelle Nicié
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Doutoranda – Poéticas da Cena e do Texto Teatral – Or. Prof. Dr. José Da Costa Filho
Bolsa FAPERJ/CAPES – PDEE
 

Resumo: Partindo-se da ideia deleuziana do devir, o processo da escrita da tese é lido como uma série de percursos-pulsações atravessados por idas e vindas, encontros e desencontros, construções e desconstruções. Para Deleuze, desejar é passar por devires. Não que seja necessário abandonar o que se é para devir outra coisa. E, no entanto, outras formas de viver e de sentir vem assombrar a nossa, fazendo-a “fugir” (deslocar-se). O tema do estudo nasce do desejo de discutir a inserção das mídias na cena contemporânea e desloca-se para o interior da poética de Samuel Beckett e sua experimentação com os meios eletrônicos (fundamentalmente, cinema e televisão). O olho implacável, a televisão, é o olho beckettiano em seu desejo de redução e delimitação do espaço, do visual e da linguagem.
Palavras-chave: Devir, Beckett, meios eletrônicos

  • ENTRE A IDENTIFICAÇÃO E O ESTRANHAMENTO

Natássia Duarte Garcia Leite de Oliveira.
Programa de Pós-Graduação em Educação/Universidade Federal de Goiás – Doutoranda – Cultura e Processos Educacionais – Orientadora: Silvia Rosa da Silva Zanolla.
Bolsa FAPEG.
Professora Assistente da Escola de Música e Artes Cênicas/Universidade Federal de Goiás.

Resumo: Por meio de leituras e de experimentações em teatro, emergiu o desejo de conhecer com proximidade os conceitos de identificação e estranhamento. Mais especificamente lendo e estudando o livro Ator e estranhamento: Brecht e Stanislavski segundo Kusnet, de Eraldo Pêra Rizzo, para orientar a disciplina Oficina do Espetáculo dos formandos da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG. Concomitantemente, as investigações sobre o estranhamento apresentadas por Sigmund Freud no texto O Estranho e Walter Benjamin no texto Que é o teatro épico? colaboraram para um pensamento crítico sobre ambos os conceitos. Tateando o “estranho” e tentando compreender linhas de congruências, divergências, convergências e fuga em relação aos conceitos dos autores citados, traço aqui um esboço do estudo em questão.

Palavras-chave: Teatro. Teatro Épico. Identificação. Estranhamento

  • (Art)iculações: Pedagogias da Performance

Naira Ciotti
Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas da UFRN DEART
Doutor em Comunicação em Semiótica PUC/SP, Signo e Significação das Mídias

Resumo
Um sistema complexo, segundo o pesquisador conferencia proferida pelo prof. Henri Atlan em Natal RN promovida pelo (2009), é composto por certo número de indivíduos conectados uns aos outros de diferentes maneiras, de forma de existe uma afecção que os conectem uns aos outros. Quanto maior o número de indivíduos e o número de interações mais complexam é encontrar o aspecto de conexão entre eles. Para se observar o sistema de vários indivíduos em relação como é o caso da pesquisa que relatamos aqui, as Pedagogias da Performance, será necessário imaginar um modelo teórico a partir do comportamento global desse sistema.

  • Teatralidade e Processos Criativos no Espaço Urbano

Patricia Leandra Barrufi Pinheiro
Programa de Pós-Graduação em Teatro – UDESC
Mestranda – Teatro, Sociedade e Criação Cênica; Or. Prof. Dr. André Carreira
Bolsista Capes
Estudante

Resumo: Este estudo analisa o trabalho dos coletivos teatrais Teatro que Roda, Tá Na Rua e Falos e Stercus e suas apropriações dos espaços urbanos. O intuito é investigar suas propostas de resignificação dos espaços públicos. Esta pesquisa é baseada nas noções de teatro de rua que orientam o fenômeno à nível nacional na questão da teatralidade urbana, nos processos criativos e na relação que os grupos possuem com a cidade. Para tanto realizei entrevistas com estes coletivos para compreender a noção de teatralidade que cada grupo possui e como isso é abordado em seus espetáculos de forma a interagir não apenas com seu público, mas também com o local da própria apresentação.

Palavras-Chaves: espaço, urbano, cidade, teatro de rua

  • A memória como recriação do vivido

Patricia Leonardelli
Programa de Pós-graduação em Artes – ECA/USP
Doutora – Teoria e Prática Teatral – Or.: Prof. Dr. Luiz Fernando Ramos
Bolsa Fapesp
Pós-doutoranda pelo Instituto de Artes – LUME/UNICAMP

Resumo: A pesquisa intitulada A memória como recriação do vivido analisa a evolução do conceito de memória aplicado às artes performativas em um recorte epistêmico filosófico para ampliar a noção de depoimento pessoal no que tange ao trabalho do ator. Buscamos construir um conceito revigorado de memória, que nasce do olhar sobre seu funcionamento nos processos performativos de criação de nosso tempo, e que toma da filosofia pós-estruturalista, da análise Bergsoniana da memória como adensamento e presentificação, e da cibernética o substrato de sustentação teórica, afirmando a natureza eminentemente criativa, e não apenas retentiva da memória, como processo fundamental de trabalho do corpo-em-arte.

  • O Encontro Face A Face No Espetáculo Milagre Brasileiro

Paula Alves Barbosa Coelho
Universidade Federal da Paraíba – UFPB
Professora Adjunta – Doutora em Artes – PPAC/ECA/USP

Resumo: A partir da pesquisa de doutoramento “A Experiência da Alteridade em Grotowski” investigo a relação de Alteridade entre ator e público, no espetáculo Milagre Brasileiro. Parto da afirmação de Levinas de que somente a Alteridade absoluta, experimentada através do encontro face a face entre indivíduos distintos, pode levá-los a uma experiência de Infinito. Na cena final do espetáculo, nós, atores, incumbidos de dar voz aos “desaparecidos políticos” da Ditadura Militar, nos dirigimos ao público solicitando-lhe que sejamos maquiados. As maquiagens são fotografadas e servem de base para a reflexão sobre essa relação face a face. Discuto até que ponto o encontro manifesto na pintura da máscara permite o surgimento da Alteridade.

  • Bits em Cena – Um encontro entre Novas Mídias e Artes Cênicas

Paulo Henrique Dias Costa
Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas – PPGAC/UFBA – Minter Unimontes
Mestrando em Artes Cênicas – Orientadora: Profª Drª Ivani Santana
Professor do Departamento de Artes/Teatro da Unimontes

Resumo: Esta pesquisa tem como foco o encontro entre a cena contemporânea e as novas mídias, enfatizando a relação entre os perceptos mediados por computador e o espaço físico da Cena. Procuramos compreender os mecanismos tecnológicos/computacionais que permitem operar sobre, e com, a Cena através de imagem, áudio, iluminação e interatividade. Na metodologia, a pesquisa se desenvolve de maneira prático/teórica. Utilizando a engenharia reversa, partimos do efeito estético, procurando compreender os recursos técnicos e computacionais necessários à sua reprodução. À medida que esses são replicados, isto alimenta o trabalho criativo que culminará na apresentação de uma Performance. Buscamos ainda desenvolver uma reflexão sobre os impactos deste encontro entre as Novas Mídias e as Artes Cênicas.

Palavras chave: Novas mídias, Tecnologia, Artes Cênicas.

  • A condição clownesca em Beckett: potência e desamparo

Priscila Genara Padilha
Programa de Pós-Graduação em Artes Cêcicas- UFRGS
Mestrado- Processos de criação cênica- Or. Prof(a) Dr.(a) Inês Marocco
Bolsa PROF CAPES
Atriz e diretora

Resumo: Aqui, busco em Deleuze, Spinoza e Sartre, motivos para pensar minha prática no teatro. Proponho-me,então, a pensar o espetáculo que estou montando dentro de conceitos cunhados pelos filósofos acima citados. Meu trabalho de mestrado trata da montagem de um espetáculo solo clownesco favorecido pelo texto de Beckett “Canção de ninar”. Descobri por Deleuze, as paixões de Spinoza, que afetam os corpos e aumentam ou diminuem sua potência de agir e de ser afetado. Mas, como trabalho com o clown, penso que ele é constituído de uma forte característica que me leva até o existencialismo sartreano: o desamparo. Tentarei, ao longo do texto, cotejar a figura do clown e o absurdo de Beckett com a potência de Spinoza e Deleuze e o desamparo de Sartre.

Palavras-chave: clown, potência, desamparo

  • O Pós-dramático e Sua Aplicabilidade: Teatro e Cinema

Rafael Conde
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Doutorando – Artes Cênicas – Orientadora: Beatriz Resende
Professor do Departamento de Fotografia, Teatro e Cinema – EBA/UFMG

Resumo: O estudo procura investigar a aplicabilidade do conceito de pós-dramático proposto pelo teórico de teatro alemão Hans-Thies Lehmann ao campo do cinema. Partindo da constatação de que o cinema clássico herdou do teatro sua vocação dramática baseada no cosmos fictício e na construção da ilusão, as especificidades dos dois campos de trabalho não impedem constatar que no cinema uma produção contemporânea marginal também surgiu para desconstruir a narrativa clássica linear, encontrando novos procedimentos de trabalho com o ator e criando novas dramaturgias e, assim como o teatro pós-dramático, contrapondo-se à sociedade midiática de massa e ao audiovisual hegemônico.

Teatro, cinema, pós-dramático, dramaturgia, ator

  • O Espaço Meyerholdiano em “O Corno Magnífico”

Rebeka Caroça Seixas
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFRN
Mestranda – Teatro e Espaço Cênico – Or. Profª. Dr. Maria Helena Braga e Vaz da Costa
Professora do Instituto Federal do Rio Grande do Norte – Campus João Câmara

Resumo: Este artigo investiga a produção e a construção do espaço cênico no espetáculo O Corno Magnífico levado à cena por Meyerhold em 1922 no contexto da discussão sobre sua proposta do Teatro da Convenção Consciente. A pesquisa se desenvolve a partir da idéia da existência de um espaço de representação característico das encenações de Meyerhold que denominamos de “espaço meyerholdiano” e que possuem e desenvolvem elementos fundamentais à sua concepção como: “espaço vivo”, “imaginação criativa”, “máquina ferramenta”, teatralidade, estilização, “inteligência física”, “espaço gestual”, “performance visual” e “performance visceral”.

Palavras-chave: Convenção Consciente, espaço cênico, espaço meyerholdiano.

  • O AIKIDO E A POESIA CORPÓREA DO ATOR

Renata Mazzei Batista
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – ECA-USP
Atriz pesquisadora- Integrante CEPECA (Centro de Pesquisa em Experimentação Cênica do Ator) – Mestre em Artes Cênicas- ECA-USP
Integrante do CEPECA (Centro de Pesquisa em Experimentação cênica do Ator)

Resumo: Esta pesquisa teve como objeto de estudo o uso das técnicas e princípios do Aikido (arte marcial japonesa), como ferramenta para auxiliar o ator em sua criação artística, tanto na elaboração de ações físicas como vocais, ampliando seu repertório corporal. Durante a fase prática foram desenvolvidos procedimentos que tiveram como objetivo a busca de formas de transposição do corpo-cotidiano para o corpo em estado cênico, criando, ao fim do processo, uma partitura física ancorada na prática do Aikido. Como resultado prático deste trabalho preparou-se a obra teatral “Separação de Corpos”, monólogo composto de ações criadas a partir das técnicas pesquisadas durante o treinamento e cuja dramaturgia foi construída juntamente com a criação das ações, utilizando estímulos extraídos do Aikido.

Palavras chave: ator, corpo, aikido, ações físicas.

  • Nuvem e Atmosfera: forças invisíveis da atuação

Renato Ferracini
Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais – LUME – UNICAMP
Programa de Pós-Graduação em Artes – UNICAMP
Pesquisador – Doutor em Multimeios – UNICAMP
Bolsista PQ – CNPQ
Coordenador Projeto Temático – FAPESP – SP

Resumo: Essa comunicação terá por objetivo discutir e problematizar o conceito de nuvem e atmosfera discutido por José Gil relacionando-os com os conceitos problemáticos de presença e organicidade. Tanto o conjunto conceitual de José Gil, mais especificamente na discussão de dança, como a conceituação teatral de presença e organicidade (segundo Stanislavski, Grotowski, Barba e Burnier) esbarram na noção de forças e de invisibilidade imanente ao corpo do atuador. A noção de invisibilidade – que poderíamos aproximar do conceito de virtualidade de Bérgson, Deleuze e Levy – de formas de força (Gil), de corpo vibrátil (Rolnik) ou ainda de corpo-em-arte (Greiner) ou corpo-subjétil (de minha autoria) poderiam lançar certa luz a essas noções tão obscuras sobre o trabalho do atuador.

Palavras chave: invisibilidade, atuação, nuvem, atmosfera

  • A performance verbivocovisual da poesia concreta brasileira

Roberson de Sousa Nunes
Doutorando no Programa Pós-Lit – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Área: Literatura Comparada – Orientador: Sara Rojo
Mestre em Letras – Teoria da Literatura – UFMG
Professor de Teatro do Centro Pedagógico da UFMG

Resumo: Este texto estabelece uma relação entre o projeto verbivocovisual da poesia concreta brasileira e a arte da performance. Interessa-me o uso da materialidade da palavra e da valorização de significantes para construir poemas-imagens-objetos-sonoros, ressaltando a atenção à visualidade e à linguagem fragmentária. Toma-se como base as influências das vanguardas históricas européias e outros movimentos como os happenings que atuaram em novos processos de interação e revigoraram o modo de se fazer arte, implicando em performances experimentais que, ainda hoje, se expandem para além dos campos da literatura, poesia, música, vídeo, teatro, dança, fotografia, artes visuais, evocando processos móveis de construção e desconstrução de linguagem e alterando o establishment.

Palavras chave: poesia concreta, performance arte.

  • Bonecas falando para o mundo: (Trans)identidades na cena brasileira

Rodrigo Carvalho Marques Dourado
Programa de Pós-Graduação em artes Cênicas – UFBA
Doutorando – Corpos e(m) Performance – Or. Prof. Dr. Fernando Passos
Bolsa CAPES
Jornalista e Encenador

Resumo: O trabalho investiga as relações históricas, estéticas e políticas entre os grupos Vivencial Diversiones, Trupe do Barulho e Coletivo Angu de Teatro, numa panorâmica da cena queer recifense dos anos 70 do Século XX à atualidade. Analisamos como esse três grupos representam o “desviante sexual”, com suas teatralidades mestiças e performativas, e perguntamos por que essas narrativas encontram ecos tão apaixonados em audiências tão amplas? Suspeitamos que não somente por metaforizarem uma experiência subalterna ligada às sexualidades, mas por traduzirem uma identidade original impossível, um desvio permanente, criando um audiência solidária na différance que sintetiza a (trans)identidade brasileira.

Palavras-chave: Queer, Sexualidades, Performatividade, Subalternidade, Identidades.

  • Estratégias tecnológicas na composição coreográfica do grupo cena 11.

Rodrigo Garcez
Professor adjunto de Performance / Artes Cênicas – UFSC
Doutor em Artes Cênicas – USP
Editor do periódico científico TFC

RESUMO: O uso de elementos tecnológicos pelo grupo cena 11 é analisado sob o ponto de vista conceitual de seu coreógrafo Alejandro Ahmed a partir de entrevista[i] concedida ao autor. Para Ahmed, cada pesquisa processual em seu trabalho de dança, demanda uma estratégia específica na interface entre tecnologia e coreografia. Acreditamos que neste diálogo entre mídias, a tecnologia cumpre o papel de intercessora de processos criativos, criando um fluxo midiático constante no qual a dança contemporânea é a resultante final e a tecnologia apresenta-se desmistificada de todo fetiche hi-tech, crivada de elementos de performance.

Palavras chave: coreografia, dança, grupo cena 11, tecnologia, performance.

  • Fragmento e morte no tempo cênico

Rosalice Koenow Pinheiro (Alice Koenow)
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO (Mestranda)
Processos e Métodos de Criação Cênica – Or. Prof. Dr.Walder Gervásio Virgulino de Souza
Diretora de Teatro

Resumo: Considera-se  a possibilidade de que a escritura  cênica
de fragmentos atua hoje no teatro como experimento de novas concepções
temporais no enfrentamento que trava com a concepção do tempo
contínuo e homogêneo,  suporte do dramático. Com o objetivo de
circunscrever um campo de discussão sobre essas relações,  o drama
barroco,  na peculiar organização temporal dos fragmentos e em suas
alegorias,  expõe-se como um passado aberto e fonte de reflexões.
Entre estas  encontra-se   o profundo imbricamento de morte e
fragmento,  poder e corpo,   com uma região de indecisão ou
indiscernibilidade entre regra e anomia. Textos críticos de Walter
Benjamin, Michel Foucault e Giorgio Agamben, ao lado dos estudos
teatrais fornecem  suporte teórico às questões enunciadas.

Palavras chave: cena fragmentada – corporeidade  – tempo

  • Entreparagens

Rosana Baptistella
Membro do LABORARTE – FE – UNICAMP
Mestre na área Educação, Conhecimento, Linguagem e Arte – FE – UNICAMP
Artista da Dança e Diretora Cênica

Marco Scarassatti
Professor Adjunto da UFMG – Faculdade de Educação – DMTE
Doutor na área Educação, Conhecimento, Linguagem e Arte – FE – UNICAMP
Compositor musical (nada + de sua vida artística¿)

Resumo: Comunicação pré-palavra/devires, sons, objetos, sentidos: a performance cênicocoreográfica Entreparagens foi criada a partir do inventário dessas interações, extraídas dos ensaios. O bailarino, o músico compositor e a diretora, explorando seus universos de
criação no mesmo tempo-espaço, compuseram um território específico, deflagrador dessas três atuações distintas e amalgamadas. Aos poucos, os espaços sonoros e imagéticos da dramaturgia começam a se configurar: lugar da memória, saudade, infância, vazio, presságio, dor e festa. Os vestígios do
processo de gestação consolidam-se e recebem luzes e sombras, cores e texturas, num processo em que todos os artistas envolvidos – diretora, compositor, bailarino, iluminador, figurinista – são co-criadores do espetáculo.

Palavras-chave: processo de criação, cena coreográfica, espaço sonoro

  • Vocalidade na cena contemporânea: corpo e voz numa dicotomia

Rose Mary de Abreu Martins
Programa de Pós-Graduação em Artes – UNB
Doutorado – Vocalidade e Cena – or. Prof. Dra. Silvia Adriana Davini
Professora do Departamento de Teoria da Arte e Expressão Artística – UFPE

Resumo: O olhar e a escuta das práticas de preparação da voz na cena do Recife, sugerem dificuldade na compreensão sobre o conceito de vocalidade na cena.
O presente trabalho propõe um relato e análise da experiência da minha atuação como preparadora vocal do processo de montagem Encruzilhada Hamlet, entre março e setembro de 2009, com texto e direção do dramaturgo e encenador João Denys. As atividades sugeridas limitavam os atores a um espaço físico mínimo e direcionava esta preparação ao melhor rendimento na cena, uma vez que a perfomance dos mesmos seria limitada ao espaço de uma caixa de areia. No entanto, avalio que nesse processo, o conceito de voz dentro da cena ainda não se estabeleceu como ponto de reflexão entre atores e demais profissionais envolvidos e portanto requer atenção

Conceito vocalidade na cena; métodos e procedimento

  • Paisagens Visuais: vamos atravessar o(s) espelho(s)?

Rummenigge Medeiros de Araújo
Programa de Pós-Graduação em Artes cênicas –UFRN
Mestrando – Linguagens da Cena – Or.Prof. Drª Maria Helena B. e V. da Costa
Bolsa Capes

Resumo: Esse trabalho é fruto de uma inquietação pessoal sobre os “rumos” e a “forma” assumidos pelo teatro na contemporaneidade e a sua relação com as mídias na formação de organismos híbridos. Em termos gerais, o interesse é discutir a respeito de como se organizam e se apresentam as possíveis relações e os diferentes níveis de contato existentes entre as mídias e o teatro na construção da cena. Neste contexto, o objetivo é pesquisar, por meio da análise da peça Rainha Mentira (2007) do encenador Gerald Thomas, as conexões entre a cena e as projeções de imagens como formadoras de organismos híbridos entendendo-as como resultantes de uma estética relacionada à condição pós-dramática do teatro contemporâneo no Brasil.

  • Observações sobre o hibridismo artístico na produção de Eugenio Barba e Jerzy Grotowski

Sanântana Paiva Vicencio
Programa de Pós Graduação em Arte da Universidade de Brasília
Mestranda – Processos Composicionais para a Cena – Or. Prof. Dra. Roberta K. Matsumoto
Bolsa CAPES
Atriz e Professora Tutora do PROLICEN / UNB

Resumo: O seguinte artigo analisa o significado do termo Hibridismo e refletindo sobre a relação que este conceito estabelece com a “pós-modernidade”. A partir disto discute sobre a produção de dois diretores teatrais do século XX: Jerzy Grotowski e Eugenio Barba. Uma vez que suas pesquisas são voltadas para a cultura dita Oriental (especificamente da China, Japão, Índia e Bali), elas poderiam ser consideradas também híbridas, já que fazem o diálogo entre o Ocidente e Oriente.  Porém, ao analisar de perto as produções e o discurso destes diretores percebemos que estas relações resultam numa influência predominantemente conceitual, uma vez que não refletem uma prática resultante dessas outras culturas.

Palavras–chave: Hibridismo / Grotowski / Barba / Oriente e Ocidente

  • Os Sentidos Corporais e a Construção das Palavras

Sandra Parra Furlanete
Bacharelado em Artes Cênicas – Universidade Estadual de Londrina – UEL
Profa. Assistente – Mestre em Artes pela UFMG

Resumo: Este artigo descreve como, em trabalho realizado no grupo de pesquisa “Identidade, Jogo Cênico e o Objeto/Imagem” (coord. Prof. Dr. Fernando Stratico), a partir da pergunta: “o que é palavra?”, veio à tona o quanto a experiência dos sentidos contribui na construção – ou imaginação – das palavras. A experiência foi apoiada por estudos de Damásio sobre a formação do pensamento e estudos sobre Lingüística Cognitiva de Lakoff e Johnson, segundo os quais nós conceptualizamos o mundo a partir de nossa vivência corporal nele, traduzindo então essa experiência em linguagem.
A pesquisa nos levou a entender a fisicalidade do texto falado, ou a integração corpo-voz do ator, não só a partir de suas características fisiológicas e acústicas. O sentido das palavras também ganha dimensão física, corporal.

Palavras-Chave: palavra, voz, experiência cênica, sentidos corporais.

  • A Psicologia Bioenergética como aporte teórico-prático no trabalho do artista: O processo de um palhaço.

Santiago Harris
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFBA
Mestrando – Poéticas e Processos de Encenação – Or. Prof. Jacyan Castilho
Psicólogo

Resumo: Proponho a investigação dos aportes teórico-práticos da conjunção entre a Psicologia Bioenergética e alguns processos metodológicos de treinamento de palhaço, para o trabalho e desenvolvimento do artista. Considero a interligação de duas propostas: Meu próprio processo terapêutico de análise bioenergético, conectado aos treinos, processos de criação e apresentações de palhaço. E o processo experimental de um grupo de estúdio (palhaço-bioenergético). O objeto é o percurso criativo junto com a sistematização do treino de palhaço tanto pessoal como grupal, tomando como principal sustento teórico e prático os aportes da Psicologia de Análise Bioenergética de Alexander Lowen. A pesquisa permitirá aprofundar e fundamentar as propostas criativas tanto artísticas quanto psicoterapêuticas.

Palavras – Chave: Psicología Bioenergética. Palhaço. Processos criativos.

  • Aproximações ao corpo como lugar – Considerações sobre natureza e arte nos estudos teatrais do corpo

Sara Mariano
Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas – UnB
Mestranda – Artes, Processos composicionais para a cena – Or. Profª. Dra. Silvia Davini
Bolsa REUNI
Atriz e Professora Autônoma

Resumo: A abordagem do corpo no campo dos estudos teatrais, conflui de forma bastante hegemônica na idéia do corpo como instrumento. Tal conceituação, também dominante na preparação para a cena e na produção teatral, convive com diversas noções surgidas do senso comum, que entendem o corpo como receptáculo, forma, morada da alma, entre outras. Tal situação resulta freqüentemente na transferência direta de um discurso sobre o corpo, originado no campo da ciência como estratégia para legitimar a vaga definição no campo das artes de uma questão tão crucial no campo da cena. O presente artigo pretende apresentar o conceito do corpo em performance como o “corpo como lugar e primeiro palco da cena” – de Davini-, histórica, social e sexualmente definido.

Palavras-chave: corpo, performance, corpo-arte-ciencia.

  • Apontamentos para uma crítica latino-americana: imagens

Sara Rojo
Programa de Pós Graduação em Estudos Literários – UFMG.
Professora Associada. Doutor em literatura S. U. N.Y. e pós-doutorados em teatro na Università degli Studi di Bologna e na Universidad de Chile.
Bolsista Pq – CNPQ e Pesquisador Mineiro – Fapemig.

Resumo: América Latina é um território que se faz e refaz por obra da natureza e dos que nela habitamos. Este processo acontece de maneira particular em cada espaço, por isso não é possível, referir-se a América Latina nem à modernidade como si fossem unívocas. O continente é uma conformação social em movimento e sempre tensionada.  Podemos dizer que enunciadores e enunciados de grande parte da arte de estas terras (sujeitos e objetos que podem ser os mesmos) cargam o conflito e o consenso. Essa situação exige pensar as imagens que usamos ou refletir sobre o uso que se faz delas. Trata-se, em definitiva, de entender que si o que nos comove faz parte de uma manipulação exercida sobre nossa sensibilidade pela indústria cultural ou é uma maneira diferente de apresentar uma imagem.

Palavras-chave: América Latina, imagem, crítica

  • Arte e Indisciplina.

Silvia A. Davini
Programa de Pós-Graduação em Arte – Universidade de Brasília
Professora Adjunto III – Ph.D em Teatro – Universidade de Londres

Resumo: No desejo de consolidar o status da produção de pesquisa em arte enquanto produção de conhecimento tem-se insistido e outorgar à mesma rigor cientifico. Este artigo aborda a questão ‘arte / ciência’ caracterizando o campo da arte para além do disciplinar. Afirmo aqui que o rigor metodológico que a pesquisa no campo da arte demanda não é rigor científico, mas o ‘rigor da indisciplina’. Pensando a arte como ‘indisciplina’ pode-se compreendê-la em toda sua dimensão, para além dos limites que as categorias disciplinares de conhecimento impõem à arte.
Com base na teoria lacaniana, o ‘modo de ação’ do artista é considerado aqui à luz da definição do R.S.I. (Real, Simbólico, Imaginário), e a obra de arte como contestação e conjuração da natureza.

Palavras-chave: arte – indisciplina – simbólico – imaginário

  • Considerações sobre Arte e Ciência em uma Leitura Deleuze-guattariana de Proust

Silvia Balestreri Nunes
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas/Departamento de Arte Dramática – UFRGS
Professor Adjunto – Doutor em Psicologia – PUC-SP

Resumo: Felix Guattari se refere à obra Em Busca do Tempo Perdido como um mapa rizomático, um tratado esquizoanalítico. Seus estudos e os do filósofo Gilles Deleuze sobre a obra-prima de Proust nos inspiram à leitura da mesma também como chave para uma compreensão do mundo e da produção de subjetividade contemporâneos. O exercício da Busca como decifração de signos, com prioridade para os signos da arte, remete-nos a uma apreensão de questões que dizem respeito à tensão arte-ciência e como tal tensão se vem desenrolando desde o início do século XX até hoje. As implicações de tal visão para os estudos das artes cênicas e sua inserção no meio acadêmico, com especial atenção aos estudos teatrais, serão abordados nesta comunicação.

Palavras-chave: arte; ciência; estudos teatrais; Proust

  • Imaginário e Processos de Criação: Protocolo Lunar um Espetáculo-Exposição

Sonia Lucia Rangel
Professora do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFBA
Professora Adjunto – Doutora em Artes Cênicas – UFBA

Resumo: Investigação grupal, de caráter prático-teórica, cujo foco motivador nasce do encontro dos participantes interagindo com a orientadora, viabilizando a soma de desejos e interesses, através do livre-pensar. Considera-se o Imaginário como campo de conhecimento e função de pensamento para a geração de um eixo temático comum e dos operadores das práticas criativas. Trata-se da criação do terceiro espetáculo do grupo, resultado da pesquisa sobre Imaginário e Processos de Criação, incluindo a expressão do imaginário de cada participante em sinergia com um único projeto poético, pesquisando as estratégias do Teatro de Formas Animadas e do Teatro de Imagem como cena contemporânea. Esta comunicação abordará os aspectos conceituais, temáticos e operacionais desta metodologia de criação.

Palavras-Chave: Processos Criativos, Imaginário, Teatralidade-Visualidade

  • Estilo e Micropolítica

Sulian Vieira
Programa de Pós-Graduação em Arte e Tecnologia – UnB
Doutoranda – Processos Composicionais para Cena – Or. Prof. Dra. Silvia Davini
Professora Assistente do Departamento de Artes Cênicas – Universidade de Brasília
Mestre em Teatro Aplicado – University of Manchester

Resumo: Abordarei as noções de estilo desenvolvidas por Michael Saint-Denis e Silvia Davini nas quais o estilo se configura como um nível de criação, resultante de um agenciamento entre os universos da peça e seu autor, da direção, dos atores e do público. O estilo, em seu devir produtivo, encontra-se entre as fronteiras dos gêneros consolidados, abrindo frestas, em contato com a multiplicidade e a mobilidade históricas, apontando a ‘novos’ ou ‘outros’ gêneros teatrais. Contudo, se ao abordar o repertório teatral, tende-se a reproduzir em cena ‘estilos históricos de atuação’, o estilo assumirá lugar reprodutivo. O estilo será finalmente considerado como devir tão vigoroso quanto sutil de produção de sentido, um entre lugar, onde a gestualidade dos atores pode assumir um lugar micropolítico.

Palavras-chave: gêneros teatrais, estilo, micropolítica

  • Dança, Criação e Memória: Uma Perspectiva Nietzschiana

Tainá Soares de Albuquerque
Mestranda em Memória Social – UNIRIO Bolsista CAPES
Orientador Miguel Angel Barrenechea
Pesquisadora do Grupo PECDAN (Pesquisa e Estudos em Cinema e Dança– UFRJ)

Resumo: Compreendendo a dança de salão como uma manifestação artística e social e definindo-a como um espaço de interação cênica, analizaremos dois bailes distintos, considerando-os a partir de seus ethos artísticos, o apolíneo e o dionisíaco. Para isto utilizaremos os conceitos de Nietzsche (1889), onde o autor considera a arte como forma privilegiada de interpretar a realidade, como forma mais profunda de desvendar o devir. O objetivo então é investigar que contribuições a dança agrega para uma memória criadora e ativa, pois entendemos que a memória é uma criação do corpo. Entendendo que assim como a arte, a memória desenvolve-se no âmbito social, a pesquisa porpõe-se a investigar em que fronteira tênue entre memória e esquecimento encontra-se o momento da criação.

Palavras-chave: dança, memória social, criação.

  • Heróis: uma investigação performática

Tania Alice
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) – professora adjunta
Performer, poeta e professora do Departamento de Teoria do Teatro e da Pós-Graduaçao em Artes Cênicas (PPGAC)

Resumo: O artigo aborda a questão de uma possível subversão operada pelas práticas performativas do Coletivo carioca “Heróis do Cotidiano”, vinculado à UNIRIO. A partir das intervenções urbanas realizadas há mais de um ano, baseadas no que Bourriaud chama de “Estética Relacional”, o Coletivo desenvolve uma reflexão acerca do Herói na Contemporaneidade. A partir de uma reflexão sobre ações realizadas em diversos bairros do Rio de Janeiro, o artigo analisa o processo de busca de estruturas relacionais. Estas conduzem a uma co-criação entre performer e transeuntes dentro de um espaço urbano que, além de sua dimensão funcional, adquire uma função poética na busca de alternativas para um espaço artístico dominado por relações de valoração, mercado e crítica midiática.

Palavras chaves: performance, espaço urbano, estética relacional.

  • A idéia de jogo na obra de Allan Kaprow e o jogo da cena performativa.

Thaise Luciane Nardim
Universidade Federal do Tocantins – Professora Assistente
Mestre em Artes na Área de Artes Cênicas – UNICAMP
Professora do colegiado de Filosofia e Artes – Licenciatura em Artes com Habilitação em Teatro – UFT

Resumo: O artigo proposto lança um olhar sobre idéia de jogo que fundamenta a obra do artista americano Allan Kaprow, em especial os trabalhos de sua fase pós-happenings nomeados como “Activities”, e identifica pontos de contato entre essa proposição e o jogo em que se envolvem os performers da cena performativa – conforme a compreende Josette Féral. Teorizada em seu artigo em três partes “A educação do a-artista” e composta num cruzamento entre o pensamento de Huizinga, Dewey e a prática do zen budismo, a noção kaprowniana de jogo enquanto qualidade do estar no mundo do artista que produz “obras de vida” encontra ressonância com questões do trabalho no teatro performativo, como a constante afirmação da presença e da performatividade do processo e o jogo com os sistemas de representação.

Palavras-chave: jogo cênico; teatro performativo; Allan Kaprow

  • O papel dos neurônios-espelho no compartilhamento das experiências na dança.

Valeska Figueiredo
Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas – UNICAMP
Doutoranda – Processos e Poéticas da Cena – Or. Prof.ª Dr.ª Marília Vieira Soares
Bolsa FAPESP
Criadora-intérprete, Professora e Pesquisadora de dança

Resumo: A dança não existe sem o compartilhamento de experiências. O sistema de neunônios-espelho é ativado quando alguém executa uma ação ou observa outra pessoa fazendo algo similar. A integração entre as reações visuais e motoras permite que a atividade observada implique numa experiência direta ao observador. Ao se relacionarem, dançarinos e espectadores promovem reciprocamente a ativação de seus neurônios-espelho, o que através do sistema sensório-motor, afeta as emoções, conceitos, pensamentos e comportamentos. Um pensamento de corpo imbricado a uma ação corporal compartilhada gera o fortalecimento e a permanência desta ideia no mundo. Assim, a dança não apenas reflete uma ordem social, mas principalmente a constrói.

Palavras-chave: neurônios-espelho, compartilhamento, dança.

  • IVAN-MEYERHOLD-EISENSTEIN

Vanessa Teixeira de Oliveira
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO Doutorando
Poética da cena e do texto teatral – Or. Prof. Dra. Angela Materno

Resumo: No artigo “Da Hipótese de uma Dedicação Secreta”, Leonid Kozlov apresenta a idéia de que a personagem do tzar, no filme Ivan o Terrível de Serguei Eisenstein, tenha sido inspirada, tanto psicológica quanto fisionomicamente, no ator e encenador Vsévolod Meyerhold. De fato, esta hipótese, pensada em relação com determinadas escolhas estéticas de Eisenstein no filme, sugere que Ivan o Terrível seja uma espécie de réquiem para o mestre de Eisenstein. Uma homenagem, no entanto, não destituída de crítica. Afinal, trata-se de um filme sobre o poder. Pode-se deduzir que a autoridade de Ivan está relacionada ao seu poder como ator e encenador, encantado pelo jogo, pelas máscaras e pelos travestimentos, à maneira de Meyerhold.

Palavras-chave: Teoria do teatro; Eisenstein, Serguei, 1898-1948; Meyerhold, Vsévolod, 1874-1940; Ivan o Terrível – Apreciação crítica.

  • Imago-diversidade e imagens-transgênicas

Veronica Fabrini
Programa de Pós Graduação em Artes – Unicamp
Professora Colaboradora – Doutora em Artes, Área de Concentração Artes Cênicas, ECA/USP
Professora do Depto de Artes Cênicas, Instituto de Artes, UNICAMP
Diretora Artística da Boa Companhia, Campinas, SP

Resumo: Partindo dos Estudos do Imaginário de, Bachelard, Durand e Hillman, este artigo busca refletir sobre a importância da imaginação e do trabalho sobre as imagens nos processos criativos da cena, colocando as seguintes questões: existiriam imagens transgênicas, estéreis? Isso representa algum perigo para a atividade criadora? Existiriam, então, imagens férteis, geradoras? Como distinguir? Como identificar a camuflagem das imagens? Quais as repercussões éticas e poéticas do trabalho com as imagens? Procuraremos explorar ainda as implicações no campo da performance cênica, visto a dupla inserção do imaginário, tanto na infra-estrutura (corpo) quanto nas superestruturas (significações intelectuais).

Palavras-chave: imagem, imaginação, imaginário, processo criativo

  • Teleperformance: processos de reconfiguração e subversão

Vládia Queiroz e Silva
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (UFBA) – Mestranda
Artes – Orientação Profª Doutora Ivani Santana
Bolsa CAPES
Atriz e Performer

Resumo: Este artigo investiga a articulação do corpo performático com o espaço ciberdigital, sob a perspectiva do emboided das ciências cognitivas, em que corpo e ambiente estão implicados e se modificam mutuamente. A análise está pautada nas dimensões relacionais entre arte e tecnologia sugeridas pelo neurobiólogo Humberto Maturana. Neste escopo são consideradas as características de subversão encontradas em trabalhos de teleperformance, tendo como hipótese que a reconfiguração estabelecida nesta relação decorre da exploração de características intrínsecas a tecnologia digital e que estas geram um espaço propício ao questionamento das estruturas pré-estabelecidas. Tais relações entre o corpo e o espaço revelam outro corpo, com características próprias, o qual é denominado aqui de Terceiro Corpo.

Palavras-chaves: ciberdigital, corpo, reconfiguração, subversão

  • Do caso Segismundo ao caso Schreber ou da desconstrução de corpos paranoicos e torturados como parte da encenação de um teatro da memória.

Walder Gervásio Virgulino de Souza (Walder Virgolino)
Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Professor Adjunto IV – Doutor em Estudos Teatrais – Université de Paris III (Sorbonne Nouvelle)

Resumo: A partir de diferentes leituras do caso Schreber e visando à apresentação cênica de técnicas de desconstrução das imagens e das idéias que elas suscitam, com inspiração em Derrida e em Foucault, dou prosseguimento às pesquisas sobre corpos humanos paranoicos ou submetidos à dor e à tortura e suas possíveis linhas de fuga ou formas de salvação. Nesse sentido, apresenta-se o estudo dos rituais de passagem que ligam a possibilidade do perdão do filho Segismundo às atrocidades cometidas por Basílio, o pai tirano, em A Vida é Sonho de Calderón, às soluções paranoicas das diversas formas de delírios presentes no caso Schreber: tornar-se mulher, entregar-se fisicamente ao prazer “soprado” por um Deus voluptuoso, ser capaz de dizer, enfim, um não categórico à interdição imposta pelo pai Moritz.

Corpo paranóico. tortura. A Vida é Sonho. Caso Schreber. novas tecnologias.

  • Rede Teatro d@ Floresta: Por Uma Biopolítica Construída por Artistas/Articuladores do Teatro da Amazônia.

Wlad Lima
Programa de Pós-graduação em Arte do Instituto de Ciências da Arte – ICA \ UFPA.
Professora-pesquisadora da Escola de Teatro e Dança da UFPA \ Artista-articuladora da região norte no Colegiado Setorial de Teatro do CNPC.

Resumo: Este artigo comunica a primeira ação do projeto de pesquisa “Teatro d@ Floresta: Uma História do Teatro da Amazônia do Tempo Presente inscrita na Web” – a Rede Teatro d@ Floresta – apresentando os primeiros estudos sobre as Práticas Narrativas de Processos de Criação, exercida pelos próprios artistas da cena e coletivos. As práticas aqui estudadas são híbridas na formatação: histórias de vida, memórias, diários de trabalho ou de bordo, autobiografias e, contemporaneamente, sites, blogs e biomídias. Com uma abordagem metodológica também híbrida, numa confluência de métodos – cartográfico e historiográfico – esta pesquisa pretende reconhecer as novas máscaras do fazer teatral na contemporaneidade como uma História do Teatro do Tempo Presente, especificamente da região Amazônica.

Palavras-chaves: Teatro; Teatro da Floresta, Artista-articulador; Tempo Presente; NetCena; Web.