GT História das Artes do Espetáculo – Anais do VI Congresso

 
  • Experiências do ator negro no Teatro de Grupo: Poéticas e Identidades

Adriana Patrícia dos Santos
Programa de Pós-Graduação em Teatro – UDESC
Mestranda – Teatro, Sociedade e Criação Cênica – Or. Prof. Dr. André Carreira
Bolsa CAPES

RESUMO: Este artigo se refere a minha pesquisa de mestrado que tem como objetivo realizar um estudo sobre os processos de criação e a especificidade no trabalho do ator negro nos coletivos teatrais contemporâneos no Brasil. Foram levantadas experiências de alguns atores negros no contexto do Teatro de Grupo. O propósito foi levantar questionamentos sobre aspectos identitários da negritude veiculados a partir das práticas teatrais. Para isso este estudo buscou uma compreensão das fronteiras entre identidade cultural e processos/procedimentos de criação do ator; procurando perceber como se dá a relação de técnicas e princípios do trabalho do ator em confronto com a cultura e identidade.

Palavras-chave: ator negro, negritude e teatro, trabalho do ator e identidade

  • A escrita etnográfica na análise de fenômenos teatrais

Adriana Schneider Alcure
Professora Adjunta do Curso de Direção Teatral – ECO – UFRJ
Mestre em Teatro – UNIRIO e Doutora em Antropologia – IFCS – UFRJ

Resumo: O trabalho refletirá sobre a relação interdisciplinar entre o teatro e a antropologia, a partir da relevância da escrita etnográfica na produção de fontes para a análise de fenômenos teatrais contemporâneos. Está baseado na pesquisa realizada sobre o teatro de mamulengos da Zona da Mata pernambucana em Alcure (2001 e 2007). A abordagem etnográfica do mamulengo, realizada nos estudos citados, possibilitou, entre outras questões, a problematização da construção coerente do objeto em detrimento de seu caráter heterogêneo, polissêmico e variável, resultando num campo fértil de tensões. A reflexão integra o escopo conceitual desenvolvido no projeto “Possíveis metodologias para a análise do riso em estudos de caso”, em implantação no Curso de Direção Teatral da Escola de Comunicação da UFRJ.

Palavras-chave: etnografia; mamulengo; cavalo marinho; Zona da Mata pernambucana; metodologias de pesquisa

  • Entre Brasil e Portugal: idas e vindas de valores culturais na bagagem do ator Eduardo Brazão

Alberto Tibaji (Alberto Ferreira da Rocha Junior)
Universidade Federal de São João del-Rei – UFSJ
Professor Adjunto – Doutor em Artes – USP

Resumo: Muitos artistas portugueses trabalharam no Brasil e em Portugal, atravessando o oceano seguidas vezes nos dois sentidos da rota. Nessa comunicação, analisaremos as memórias do ator português Eduardo Brazão (1851-1925), compiladas por seu filho e refletiremos sobre o contexto no qual elas se inserem. A análise considerará aspectos formais do livro como um todo e apresentará alguns valores que circularam durante suas doze vindas ao Brasil no século XIX e início do século XX.

Palavras-chave: Eduardo Brazão; Biografia; Teatro Português; Teatro Brasileiro

  • Dulcina de Moraes e a Fundação Brasileira de Teatro

Alvaro Luis de Sá
Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Mestrado – Teatro e História – Or. Maria de Lourdes Rabetti
Bolsa CAPES
Professor de História de Teatro – CAL – CASA DAS ARTES DE LARANJEIRAS

Resumo: Dulcina de Moraes era considerada na década de 50 “a primeira dama” do teatro nacional, convencida da necessidade de investir na profissão do ator resolveu criar uma escola de teatro. Por isso em 1955, inaugurava a Fundação Brasileira de Teatro. Durante treze anos a FBT funcionou no Rio de Janeiro, formando alguns dos mais importantes atores, diretores, cenógrafos e críticos que atuaram ativamente no teatro brasileiro. No final de década de 60 por causa de dificuldades financeiras, a FBT se transferiu para Brasília aonde continua formando atores até hoje.

Palavras-Chave: Dulcina – Escola – Formação – Profissionalização – Atores.

  • Uma escrita dramatúrgica que projeta o ritmo e os espaços das cidades

Autor: Ana Carolina Paiva
Doutora em Artes Cênicas (Uni Rio)

Resumo: Na leitura e análise dos diálogos criados por Joaquim Cardozo – pontuados por convenções estabelecidas no espaço social público, como o coro de Cantadeiras e a invasão do espaço da recepção – se verifica que a ideia de espaço cênico se relaciona com o espaço circular da praça, onde a palavra, tornada voz, aglutina em si o espaço cênico, o espaço dramático e o espaço textual, e nos próprios diálogos se instalam o ritmo, a fluidez, o improviso e o movimento itinerante presente nos espaços públicos das cidades.

Palavras-chave: dramaturgia, espaço, genius loci, oralidade.

  • Espaços do teatro de animação na cidade do Rio de Janeiro no século XIX: entre praças e teatros

Ana Paula Brasil
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Mestranda – História e Historiografia do Teatro – Ora. Profa. Dra. Evelyn Furquim Werneck Lima
Bolsa CAPES

Resumo: O artigo aborda os aspectos formais e estéticos do teatro de animação, bem como as relações com a cidade do Rio de Janeiro no que se refere aos contextos sóciopolítico e espacial-geográfico do gênero teatral em questão, considerando teatro de animação como qualquer espetáculo performático no qual formas plásticas e visuais são animadas. Dando ênfase ao estudo de caso do Theatro João Minhoca com atenção ao período que vai da transição entre Monarquia e República e a posterior transformação urbanística que provocou a mudança dos espaços de convergência cultural na cidade. À luz da História Cultural considera a história do teatro de formas animadas no Rio de Janeiro como parte fundamental da história do teatro na cidade.

Palavras-chave: Espaço teatral – Teatro de animação – Teatro de bonecos – Historia do teatro brasileiro – Século XIX.

  • Teatro de Grupo e a noção de Coletivo Criativo

André Carreira
Programa de Pós-Graduação em Teatro – UDESC
Bolsista PQ CNPq

Resumo: Este texto reflete sobre a trajetória da noção de coletivo no contexto do teatro de grupo brasileiro. Descrevendo diferentes práticas organizativas de grupos contemporâneos, o artigo estabelece comparações com modelos que vigeram na cena nacional nos anos 70 e 80. O trabalho ainda confronta a construção da noção de “processo colaborativo” com a prática da “criação coletiva”, como elemento que reformula a própria noção de grupo.

Palavras chave: grupalidade; processos de criação; teatro brasileiro

  • O nascimento do Teatro Brasileiro Moderno: modernismo e nacionalismo no pensamento de Décio de Almeida Prado.

Berilo Luigi Deiró Nosella
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Doutorando – História e Historiografia do Teatro – Or. Profa. Dra. Maria de Lourdes (Beti) Rabetti
Bolsa CNPq
Iluminador Cênico

Resumo: A comunicação almeja contribuir para a análise do pensamento de Décio de Almeida Prado sobre o “nascimento” do teatro nacional tendo como foco a compreensão do que ele denomina Teatro Brasileiro Moderno. Para tal, propõe-se aqui um olhar sobre pequenas “fissuras” presentes na obra historiográfica do crítico, procurando desvendar em seu pensamento traços ideológicos de certa visão “de elite”, revelando resquícios do projeto de modernização e civilização progressista da burguesia nacional do século XIX perpetuados tanto no projeto modernista paulista quanto na visão teórico-crítica de Décio de Almeida Prado.

Palavras-chave: Décio de Almeida Prado, Formação Nacional, Teatro Brasileiro Moderno, Comédia Nacional, Modernismo.

  • Um olhar historiográfico para a dança.

Carmi Ferreira da Silva
Programa de Pós-Graduação em Dança – UFBA
Mestrando – Dança e História – Or. Prof. Dra. Fabiana Britto
Professor Substituto do Departamento de Teoria e Criação Coreográfica – Universidade Federal da Bahia
Resumo: Durante a construção da dança cênica, destacamos a importância da elaboração de seus registros escritos, proporcionando aos estudiosos nesta área possíveis leituras e releituras de contextos, percursos, obras e eventos. Por este viés, contar a história da dança requer o mesmo empenho e rigor com os quais grandes coreógrafos e brilhantes dançarinos desprendem ao construir uma coreografia em dança. A idéia é pensar a história da dança como uma narrativa que não está separada da história da arte, cultura, social ou política. A dança só acontece por que todo este ambiente – condições para a sua existência – favorece sua ocorrência. E a história é corpo. E a dança é no corpo. E os vestígios no corpo trazem a história das transformações destas danças. Elas contam suas próprias histórias.

Palavras-Chave: Dança, História, Corpo.

  • O teatro como estratégia educativa: amadores, associações e companhias dramáticas em Ouro Preto (1850-1860).

Carolina Mafra de Sá
Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Cultura Escrita (GEPHE/FaE/UFMG) – Pesquisadora.
Mestrado – Faculdade de Educação – UFMG.
Bolsa CAPES e CNPq

Resumo: Este artigo apresenta resultados da dissertação que investigou o papel educativo do teatro em Ouro Preto/MG, na década de 1850. Procuramos compreender a diversidade de pensamentos entre os homens da elite intelectual e dirigente ouro-pretana, em relação à função do teatro na sociedade e aos significados do edifício teatral. Analisamos as motivações que levaram a investir nos espetáculos. Qual seria a importância atribuída a tais apresentações e de que maneira a noção de um caráter pedagógico do teatro foi apropriada? Para tanto, utilizamos jornais do período e a documentação oficial da província mineira mantida pelo Arquivo Público Mineiro. Identificamos que os grupos envolvidos com a arte dramática em Ouro Preto tinham opiniões diversificadas em relação ao significado atribuído ao teatro.
Palavras-chave: teatro, educação, história.

  • História Cultural: reflexões sobre as narrativas do passado

Cláudio Guilarduci
Professor Adjunto – Doutor em Teatro – UFSJ
Bolsista PDJ/CNPq

Resumo: Ao trabalhar com fontes primárias no projeto “Os edifícios teatrais da cidade de São João del-Rei (1782 – 1893): uma análise do espaço urbano” que reflexões sobre a narrativa histórica vem sendo desenvolvidas. Esse texto pretende discutir a partir da História Cultural a construção da narrativa histórica entendendo que essa escrita, semelhantemente à arquitetura de lugares e de personagens de uma trama teatral, compõe um sistema de movimento que organiza uma produção textual conduzida por uma prática investigadora com o objetivo de “recapturar” um passado. Essa “escrita em espelho”, que dá lugar a uma falta ,esconde o processo no qual ela foi reconstituída, pois é necessária uma passagem entre as práticas ocorridas no passado e as práticas de organização de significantes desse passado.

Palavras-chave: História Cultural; Narrativa Histórica; Edifícios Teatrais; São João del-Rei

  • O palhaço Economia: vida e teatralidade circense

Daniel Marques da Silva
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – PPGAC-UFBA
Professor Adjunto – Doutor em Teatro – UNI-RIO
Professor do Departamento de Fundamentos do Teatro – Escola de Teatro – UFBA

Resumo: A trajetória profissional de Milson Laborda Serrão, o palhaço Economia, evidencia uma característica fundamental do artista circense: a relação indissociável entre arte e vida. Nascido em Manaus, em 1945, Economia trabalha em circos desde os doze anos. Sua carreira inclui a participação em circos de médio e grande porte e, atualmente integra a Cia. Os Paspalhões, da cidade de Salvador, constituída por sua família, a quem passou seus conhecimentos e suas técnicas, preservando a tradição circense. Ao trazer inscrita em seu corpo esta tradição e ao carregar seu nome artístico mesmo em sua vida doméstica (sendo chamado de Economia por seus familiares e vizinhos), Milson Laborda Serrão evidencia a máxima artaudiana: “A tragédia em cena já não me basta. Quero transportá-la para a minha vida”.

Palavras-Chave: comicidade – circo – ator

  • Teatro Popular Nacional: o projeto de descentralização de Ruth Escobar

Eder Sumariva Rodrigues
Programa de Pós-Graduação em Teatro – UDESC
Mestre em teatro – Teatro, Sociedade e Criação Cênica

Resumo: A persona Ruth Escobar foi responsável por promover e fomentar importantes projetos teatrais para o desenvolvimento da cena brasileira. Sua trajetória no Teatro Brasileiro foi marcada por sua posição renovadora dos procedimentos cênicos e pode ser relacionada com a radicalização de todos os elementos que caracterizam o fazer teatral. Dentre os significativos projetos idealizados pela produtora, destaca-se a criação do Teatro Popular Nacional (TPN) que tinha como objetivo levar a arte teatral em cima de um ônibus aproximando-se das ideias de alguns encenadores franceses e do movimento norte-americano Little Theatres.

Palavras-chave: Teatro Popular Nacional, Teatro Brasileiro, Ruth Escobar.

  • A Biomecânica Teatral de Meyerhold : busca de uma tradição teatral e seus reflexos nos dias de hoje

Erico José Souza de Oliveira
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFBA
Professor Adjunto 1 – Doutor em Artes Cênicas – UFBA

Resumo: Vsevolod Meyerhold (1874-1940), em busca de um “teatro de convenção”, traçou um paralelo entre sua pesquisa teórico-prática e as antigas formas teatrais. Para ele, essas “tradições teatrais” serviriam como fonte para a criação de um teatro do futuro. De sua intensa investida nesta direção, Meyerhold chega à criação da Biomecânica Teatral, um sistema que, segundo o próprio encenador, deriva de elementos da commédia dell’arte, do circo e do teatro oriental. Conforme Genadi Bogdanov (ator, diretor e pedagogo russo), a Biomecânica Teatral é também uma tradição teatral, pois possui uma sistemática de transmissão exclusivamente prática e oral. Mas, o que seria exatamente uma tradição teatral? E como esse pensamento e essa herança meyerholdiana pode dialogar com o teatro brasileiro de hoje?

Palavras-Chave: Biomecânica Teatral – Vsevolod Meyerhold – Tradição Teatral

  • Histórias do aqui e agora: cabaré e teatralidade circense

Erminia Silva
Pesquisadora Colaboradora do Centro de Memória da UNICAMP

Resumo: Nos últimos dez anos, no Brasil, grupos de artistas circenses que não possuem ligação específica com os circos itinerantes, em geral oriundos de escolas de circos, artistas circenses profissionalizados, ou não, têm experimentado organizar espetáculos que são denominados de cabaré. A idéia que perpassa essas iniciativas é a de que as apresentações contenham uma diversidade de números artísticos, reunindo além do próprio grupo ou escola, organizadores do evento, também convidados externos a eles. A partir de um curso de história do circo em uma escola de circo foi possível debater com os alunos sobre a história do conceito, dos espetáculos e das casas denominado cabaré, relacionando-o com as artes circenses.

Palavras-chave: circo, cabaré, café-concerto, music hall

  • Arte e ciência: investigando teatros elisabetanos por meio da cartografia

Evelyn Furquim Werneck Lima
Pós doutor (Université Paris X-Nanterre) Doutor em história social (UFRJ / EHESS)-
Professor associado II doPrograma de Pós Graduação em Artes Cênicas Universidade do Estado do Rio de Janeiro-
Pesquisador 1-C CNPq e Cientista do Nosso Estado (FAPERJ)

Resumo: Pretende-se estabelecer uma interface entre a arquitetura teatral elisabetana e Londres, no âmbito da História do Espetáculo. As dimensões culturais envolvem memória, imaginário e apropriação. Neste paper, investigamos a localização dos edifícios teatrais desde o final do Seiscentos por meio da cartografia. Apesar da dificuldade de análise dos desenhos técnicos e do estabelecimento das relações entre os fatos históricos e de sua espacialidade acredita-se que esta representação constitua um instrumento de registro da realidade, devendo obedecer a critérios técnicos. Ao final do século XVI os arredores de Londres estavam pontilhados de teatros, estrategicamente implantados. A localização destes teatros públicos fora da jurisdição do controle da coroa e da cidade ofereceu aos dramaturgos elisabetanos um espaço de crítica acirrada sobre as transformações culturais no final do século XVI, transgredindo a ordem urbana.

Palavras chave: teatro, arquitetura; cartografia

  • O acervo fotográfico da Cia. Walter Pinto e a abordagem da iconografia teatral

Filomena Chiaradia
Pesquisadora / Funarte
Doutora em Artes Cênicas pela UNI-RIO
Centro de Documentação e Informação-Cedoc/Funarte

Resumo: Nossa investigação se insere em campo disciplinar ainda pouco explorado pela historiografia do teatro no Brasil, ou seja, a iconografia teatral. Buscou-se aprofundar o conhecimento teórico e metodológico oferecido por essa disciplina na construção de narrativa historiográfica onde o elemento imagético se torna ponto central de reflexão e análise. Apreender o discurso visual construído na trajetória dessas imagens por seus agentes produtores desvela diferentes relações entre a produção teatral e a produção fotográfica da cena.

Palavras-chaves: iconografia teatral – fotografia de cena – teatro de revista

  • Reportagens de um tempo mau: Barrela e Navalha na carne na cena teatral de Salvador (BA) em 2006

Gessé  Almeida Araújo
Programa de pós-graduação em Artes Cênicas – UFBA
Mestrando – História, Dramaturgia e Recepção – Or. Profª. Drª. Ângela de Castro Reis
Professor – Escola Estadual Papa João XXIII

Resumo: Pretendo promover uma análise de duas recentes encenações de textos de Plínio Marcos produzidas em Salvador (BA): Navalha na Carne, da Cia. de Teatro Gente-de-fora-vem e Barrela, da Cia. de Teatro Gente, ambas de 2006. Pretendo investigar os interesses sociais das encenações, bem como a pertinência dos textos escritos há mais de 40 anos, refletindo sobre a atualidade a partir do tema da violência urbana, latente em ambas. Promoverei paralelos entre: o reaparecimento de montagens de textos do “autor maldito” na cidade Salvador-BA; a pertinência das referidas obras dramatúrgicas/montagens na cena teatral local; o período histórico em que as obras foram escritas e sua relevância nos dias de hoje.

Palavras-chave: Plínio Marcos – Violência – Encenações

  • Teatro e intervenções urbanas: o Coletivo Heróis do Cotidiano

Gilson Motta
Professor do Departamento de Artes Utilitárias, Escola de Belas Artes, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Resumo: As performances do Coletivo Heróis do Cotidiano, do Rio de Janeiro, fundem Intervenção Urbana, Teatro, Poesia e Artes Plásticas. A idéia básica do Coletivo é criar uma dimensão poética em espaços urbanos funcionalizados, de forma a re-territorializar e potencializar os afetos e os fluxos. Valorizando o elemento relacional da arte (a criação de um acontecimento artístico a partir da relação com o outro em seu contexto), as ações do Coletivo têm um teor político por produzirem uma reflexão sobre o uso do espaço urbano e sobre os condicionamentos e valores em vigor, propondo novas sociabilidades e formas alternativas de ação e reação aos dispositivos sociais. No presente artigo farei uma exposição sobre o trabalho do Coletivo, destacando a performance chamada Poder da Invisibilidade.

  • Um certo olhar sobre a pré-encenação

Gláucio Machado Santos
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFBA – Professor Adjunto II
Doutor em Artes Cênicas – UFBA
Ator e encenador

Resumo: Esta comunicação apresenta características e práticas relativas a procedimentos para montagens de antigos eventos cênicos concernentes aos Mistérios de Abidos (Egito – 3.000 a.C.) e às Grandes Dionisíacas (Grécia – 600 a.C.). Tal investigação encontra-se em andamento e tem como principal objetivo a composição de conteúdos específicos no campo da história do espetáculo. O trabalho pretende preencher uma notável lacuna dentre as publicações na área de teatro em língua portuguesa ao dedicar-se particularmente a fornecer subsídios pedagógicos para o ensino de direção teatral de modo a permitir que alunos-encenadores percebam diferentes percursos de construção de cenas a fim de criar os seus próprios caminhos e reconhecer aspectos acerca dos primórdios de seu ofício.
Palavras-chave: pré-encenação – encenador – espetáculo

  • A cena como saber da perda

Héctor Briones
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFBA
Doutorando – Teatro, Historia e Política – Or. Prof. Dr.ª Angela Reis
Bolsa CNPQ
Professor Assistente do Curso de Artes Cênicas do ICA – Universidade Federal do Ceará

Resumo: No espetáculo Gemelos, do grupo chileno La Troppa (1999), os atores são como bonecos sobre um teatrinho de guinhol – a escala humana – contando uma história que remete à 2ª guerra mundial e também à ditadura chilena (1973 – 1988). Pela delicadeza e melancolia da encenação, esta foi considerada uma redentora do desastre ditatorial. Gemelos foi lido em chave romântica, espiritualizando sua materialidade cênica em vistas a essa redenção, o que ocultou a sua força crítica, apontada para as ruínas e perdas do passado ditatorial. A partir da distinção romântica do símbolo e da alegoria, via Benjamin, propõe-se aqui uma leitura do espetáculo que revele essa força crítica ao indagar na sua materialidade cênica. Trata-se da enigmática força política da cena alegórica, revelando um frágil presente.
Palavras Chaves: La Troppa – Encenação – Política

  • Música e cena : o canto em busca de ação.

Ive Novaes Luna
Programa de Pós-Graduação em Teatro – UDESC
Doutoranda – Teatro – Or. Prof. Dr. André Luiz Antunes Netto Carreira
Bolsa Promop
Musicista e preparadora vocal

Resumo: O artigo trata da transposição das falas de Stela do Patrocínio — carioca diagnosticada como esquizofrênica, que morou trinta anos em hospitais psiquiátricos — para a cena do espetáculo Entrevista com Stela do Patrocínio, encenado pela atriz e diretora Georgette Fadel e pelo músico Lincoln Antonio e definida por ambos como ópera mínima: ópera porque é um drama musical, onde todo o texto é cantado; mínima porque é reduzida na sua formação, tendo uma solista (Stela), sua antagonista (entrevistadora) e o acompanhamento do piano. O estudo propõe a análise do espetáculo com foco na ação vocal da atriz e apresenta, ainda, paralelos entre este e Rainhas[(s)] – duas atrizes em busca de um coração, que conta com a atuação de Georgette Fadel e com a direção musical de Lincoln Antonio.

Palavras-chave: voz – música.

  • O último carro: uma viagem de trem com João das Neves

Kátia Rodrigues Paranhos
Programa de Pós-graduação em História – UFU
Professora Associada – Doutora em História – Unicamp
Bolsista Pq – CNPq e FAPEMIG
Resumo: Esta comunicação aborda os sentidos do engajamento a partir das representações inscritas em O último carro de João das Neves. Nessa peça, avultam como temas a solidão e a decadência humana, a superexploração do trabalho humano e a morte prematura como horizonte permanente. Sobressaem, portanto, sujeitos sociais distintos, marcados pela tragédia individual e coletiva. Nesse sentido, João das Neves se notabilizou pelo engajamento político ou “legítimo”, como lembra Eric Hobsbawm noutro contexto, aliado à capacidade de lançar idéias, perguntas e desafios, em plena ditadura militar, no campo das artes, propondo então indagações que ecoam até os dias de hoje.

  • A perspectiva de jogo teatral de Peter Brook: relato da preparação de atores da montagem Prazer Algum

Lisa Souza Brito
Programa de Pós-Graduação em Teatro – UDESC
Mestranda – Teatro – Orientadora Profa. Dra. Maria Brígida de Miranda

Resumo: Pontuando a importância do jogo cênico e seu exercício para o trabalho do ator, viso desenvolver uma ligação entre a minha pesquisa de mestrado e a preparação do elenco, desenvolvida por mim, no espetáculo Prazer Algum. O trabalho é a união de duas pesquisas da pós-graduação da UDESC. Uma delas é a proposta da diretora Morgana Martins de explorar o elemento sonoro como condutor do processo criativo. Minha pesquisa, no entanto, é sobre como os jogos teatrais na perspectiva de Peter Brook podem ser utilizados na preparação de atores para um espetáculo. A base do trabalho desenvolvido por mim se constitui na relação entre os atores e o espaço cênico. Meu objetivo é ampliar as possibilidades dos atores, estimulando e trazendo um crescimento para seu trabalho, ajudando a tornar o teatro vivo.
Palavras-chave: jogo teatral, preparação de ator, Peter Brook, processo criativo.

  • Direção como missão: concepções cênicas de Alberto D`Aversa e Antunes Filho sobre a dramaturgia de Jorge Andrade

Luiz Humberto M Arantes
Programa de Pós-Graduação em Artes/UFU
Professor Adjunto – Doutor em História – PUC/SP
Resumo: A partir da segunda metade do século XX a questão da direção teatral foi fortalecida pela força da idéia de encenação. Nesta comunicação pretende-se pensar alguns desdobramentos da idéia de direção teatral tomando como ponto de partida duas experiências práticas de direção cênica, empreendidas a partir da dramaturgia de Jorge Andrade: a primeira realizada em 1958 por Alberto D`Aversa com a encenação de Pedreira das Almas e, a segunda, realizada em 1994, por Antunes Filho, e sua montagem de Vereda da Salvação. Dois homens de teatro, duas visões de direção teatral e dois espetáculos que merecem serem vistos nestes dois contextos: no momento de fortalecimento da direção teatral, e no seguinte, instante já de crítica e de redimensionamento da forma de pensar e organizar o teatro brasileiro.

  • Trânsitos ligeiros

Maria de Lourdes Rabetti – Doutora em Ciências Humanas – USP – Professora da UNIRIO; Pesquisadora do CNPq
Paulo Maciel Doutor em Teatro – UNIRIO – Pós-doutorando – Bolsa FAPERJ
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC)
Laboratório Espaço de Estudos sobre o Cômico (LEEC) – UNIRIO

Resumo: A pesquisa de libretos de ópera bufa, ópera cômica e opereta, de meados do século XIX às primeiras décadas do século XX, por meio de mapeamento realizado no acervo da BN/ RJ, nos leva à identificação de uma série de procedimentos de reescrita empregados pelos autores brasileiros, tradução, tradução livre, adaptação, adaptação livre, imitação, acomodação, paródia e paródia fantástica. Neste estudo, analisaremos apenas questões de tradução e adaptação na versão italiana do libreto La vedova allegra, de Leon Vittore e Leone Stein (1909) e na brasileira de Edson Lima de Almeida (1983), ambas localizadas na Biblioteca Nacional, de modo a contribuir para a história da opereta no teatro brasileiro. Maciel tratará questões de adaptação e Rabetti de tradução.

Palavras-Chave: opereta, tradução, adaptação

  • Procedimentos de um laboratório experimental: o melodrama por Almodóvar

Maria De Maria
Programa de Pós-Graduação em Artes – UFU
Mestranda – Práticas e Processos em Artes – Or. Professor Dr. Paulo Merisio
Bolsa Capes
Estudante, atriz, professora.

Resumo: A apresentação tem o intuito de expor as investigações realizadas por meio de um laboratório experimental na pesquisa de mestrado “A contemporaneidade da interpretação melodramática: Um olhar por Almodóvar” dentro do programa de pós-graduação em artes da UFU, MG. Como recurso metodológico optou-se pelo formato do laboratório experimental, entendendo-o como um propício espaço para a reflexão, percepções corporais e explorações práticas de possibilidades criativas ao trabalho do ator. Para isso partiu-se dos estudos do melodrama tradicional francês, segundo Jean Marie Thomasseau, tendo ele como paradigma, e a filmografia de Pedro Almodóvar, com o objetivo de encontrar reverberações do melodrama do século XVIII e os mais variados desdobramentos nas interpretações contemporâneas.

Palavras-chave: Melodrama – interpretação – Almodóvar

  • Alguns Riscos da Caricatura no Teatro de Revista

Maria Odette Monteiro Teixeira
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas UNIRIO
Doutoranda – História e Historiografia do Teatro – Or.  Flora Süssekind

Resumo: O trabalho investiga a relação entre a caricatura e o Teatro de Revista brasileiro nas três primeiras décadas do século XX, utilizando como base  os nomes de  três artistas que trabalharam nas duas áreas : Luiz Peixoto , Raul Pederneiras e  J. Carlos. São artistas que retrataram com humor e inteligência a vida da cidade do Rio de Janeiro dos períodos denominados República Velha à  Era Vargas. O que se quer saber é em que medida  o universo plástico  da caricatura  colabora na construção dos quadros do Teatro de Revista, como também  se nos elementos constituidores dos caricaturais personagens do teatro de revista (chamados personagens tipo) há traços  que se originariam da deformação sugerida na caricatura. O objetivo é verificar se há um deslocamento do desenho para o palco e vice-versa.

Palavras – chave: Caricatura – Teatro

  • Geografia e espacialidade no teatro grego; as relações da luz.

Mauricio Ferreira Cardoso
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Mestrando
Processos e Métodos da Criação Cênica – Or. Prof. Dr. José da Silva Dias
Bolsa CAPES
Professor do Departamento de Artes – Faculdade SENAI/CETIQT

Resumo: A influência da luz solar sobre o posicionamento geográfico e espacialidade no teatro grego. As relações da construção do edifício teatral, sua localização geográfica e as interações com o fluxo de luz de acordo com a duração do dia e o movimento solar. O posicionamento do palco frente os eixos cardinais e análise do fluxo luminoso resultante. Este estudo propõe analisar as estruturas dos edifícios teatrais na Grécia antiga durante o período de seus festivais; as dionisíacas urbanas e rurais, tentando estabelecer uma compreensão das influências do fluxo luminoso na construção destes espaços.

Palavras-chave: Teatro grego – Iluminação  – Arquitetura teatral.

  • A cena surge do som: o elemento sonoro como condutor do processo criativo da montagem Prazer Algum

Morgana Fernandes Martins
Programa de Pós-Graduação em Teatro – UDESC
Mestranda – Teatro – Or. Profa. Dra. Vera Collaço
Bolsa CAPES

Resumo: Este artigo tem por objetivo apresentar o relato do processo de construção teatral da montagem Prazer Algum, realizada por alunos de graduação e mestrado em Teatro da UDESC. O processo desse trabalho se realizou durante o segundo semestre deste ano e o relato enquanto diretora e compositora de seu repertório sonoro. Por meio desse processo coloco em prática os estudos teóricos que venho elaborando sobre repertório sonoro da cena teatral enquanto dissertação. Neste processo são as possibilidades dos detalhes sonoros que induzem as ações dos atores, assim como influenciam na representação do texto dramático trabalhado por eles. Um trabalho onde o jogo entre a dramaturgia textual e a criação dos atores acontece apoiando-se no elemento sonoro como ferramenta de experimentação cênica.

Palavras-chave: Processo de criação – som – elemento sonoro

  • Santa Rosa, Moderno brasileiro

Niuxa Dias Drago
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Doutoranda – Processos e Métodos de Criação Cênica – Or. Profa. Dra. Evelyn Furquim Werneck Lima
Bolsa FAPERJ
Busca-se estabelecer vínculos entre a cenografia de Santa Rosa (1909-1956) e o Movimento Moderno Brasileiro nas décadas de 30 a 50, buscando as especificidades nacionais de seu trabalho e a forma criativa como adaptou a modernidade pictórica e arquitetônica à espacialidade do palco. Na nossa modernidade, é evidente que os aspectos das tradições luso e afro-brasileiras são a chave para se entender como as vanguardas européias foram assimiladas de forma a contribuir para o “autoconhecimento” da nação. Podemos constatá-lo observando a obra pictórica de Santa Rosa, que é também pintor, mas, no campo da cenografia, permanece inexplorado o contato com a tradição brasileira que precisa ser desvendado para que o cenógrafo encontre seu lugar na síntese da nossa modernidade.

Palavras-chave: Santa Rosa – Teatro Brasileiro Moderno – Movimento Moderno

  • Os papéis femininos na corte do Segundo Reinado: o corpo e a dança em regras de conduta

Péricles Vanzella Amim
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Mestrando – História e Historiografia do Teatro – Or. Profa. Dra. Maria de Lourdes Rabetti

Resumo: Na segunda metade do século XIX, o Rio de Janeiro passou por transformações que modificaram o papel da mulher na sociedade. Neste contexto, o corpo feminino atuou como depositário de uma série de significantes de regras de conduta, praticadas, por exemplo, nos inúmeros salões e bailes (públicos e privados) que permeavam a corte. Historicamente, no início do século XIX a ginástica e o esporte inauguram, na Europa, uma nova percepção do corpo, que começa a ser observado como um indicador de saúde, classe social e polidez; a dança contribui neste processo, uma vez que amplia seu campo de ação e passa a demandar um bailarino fisicamente mais bem preparado, além de valorizar a figura da mulher. Estas operações repercutem no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, com a vinda da família real.

Palavras-chave: imagem do corpo no passado; história da dança; estudos do feminino.

  • Ordem na Rouparia! Como documentar um acervo de figurinos?

Renata Cardoso da Silva
Universidade Federal da Bahia – UFBA – Professora Assistente I
Mestra em Artes Cênicas – UFBA

Resumo: Em novembro de 2009 iniciei o projeto de documentação e catalogação do Acervo de Figurinos da Escola de Teatro da UFBA. A rouparia da Escola atualmente conta com uma grande quantidade de roupas e acessórios arrecadados ao longo dos anos. Todo esse material tem sido arquivado de maneira inapropriada e ineficaz, sem qualquer tipo de documentação ou registro. O objetivo do projeto é organizar o material já existente, e criar uma base de dados que permita sua complementação através do tempo, à medida que novas peças sejam adquiridas.

Palavras-chave: Documentação; Catalogação; Acervo de Figurinos

  • Imaginação e improvisação em Stanislavski

Sandro de Cássio Dutra
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UNIRIO
Doutorando – História e Historiografia do Teatro –
Orientadora: Profª Drª. Maria de Lourdes Rabetti
Grupo de estudos sobre o teatro cômico: UNIRIO/CNPq

Resumo: Mais do que qualquer outro teórico, Stanislavski tem exercido uma grande influência no pensamento e na prática teatral do ocidente no que concerne à atuação. Em seu ponto de vista, uma das principais tarefas do ator consiste em tornar explícitas as motivações da personagem que está representando e encontrar os meios pelos quais possa fazê-la se manifestar. Nessa tarefa criativa, a imaginação tem um papel crucial, já que, sem ela, segundo o teórico russo, não existe criação na arte. O exercício imaginativo representa o início do trabalho do ator, que, dispondo das circunstâncias para a improvisação, pode prosseguir, testando suas conjecturas em exercícios direcionados para a composição de seu papel. Procuramos aqui apresentar algumas reflexões sobre os conceitos de imaginação e improvisação.

Palavras-chave: Stanislavski, imaginação, improvisação, trabalho do ator.

  • Para onde vai o agon teatral nas práticas teatrais pós-dramáticas?

Stephan Arnulf Baumgärtel
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas
Universidade do Estado de Santa Catarina
Bolsista Jovem Pesquisador – CNPq

Resumo: Este trabalho analisa o deslocamento do conflito teatral nas práticas pós-dramáticas, de seu eixo intra-ficcional para o eixo extra-ficcional entre palco e theatron. Conforme a dupla articulação da comunicação teatral, este deslocamento estabelece um evento, e não uma estrutura teatral. E oscila, nas suas modalidades de apresentação teatral, entre as modalidades representar, mostrar a representação, e ser, sendo que a teatralidade realizada por ações do tipo “mostrar a representação” permite fazer uma mediação entre representar e ser. Desse modo, o lugar onde a temática agonal do espetáculo se manifesta é a representação em sua performatividade conflitante. Ela assume a função que antigamente fora ocupada pelo herói dramático.

Palavras-Chave: Teatro pós-dramático – dramaturgia pós-dramática – mimese não-representacional – performatividade cênica

  • A Tragédia Orgânica de Romeo Castellucci: sua escrita videográfica e o lugar da mímesis no contemporâneo.

Valmir Aleixo Ferreira
Pós-Graduação em História Comparada UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Mestrando – Formas Narrativas – Or. Drª Magda Maria Jaolino Torres.
Professor da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.

Resumo: Este trabalho faz parte da minha dissertação que procura estudar, por meio das formas narrativas, a relação entre o teatro e a história, onde comparo as representações simbólicas produzidas por estes campos do saber e suas formas múltiplas de discurso. Tendo como estudo de caso o Episódio IV do espetáculo Tragedia Endogonidia da Societàs Raffaello Sanzio, dirigido por Romeo Castellucci, realizado em maio de 2003, que busca refletir a construção da forma cênica e seu diálogo com o espectador apresentando dois eixos temáticos, a violência e o medo. Deste modo, procuro rediscutir a função do teatro como um veículo de ligação entre o indivíduo e sua própria existência ou pelo menos pontuar elementos de reflexão no âmbito dessa problemática.

Palavras-chave: história – teatro – espectador

  • A escrita dramatúrgica e cênica de um espetáculo revisteiro na academia

Vera Collaço
Programa de Pós-Graduação em Teatro – UDESC
Professora Associada – Doutora em História Cultural – UFSC

Resumo: Que dificuldades e/ou facilidades podemos encontrar na preparação de um espetáculo revisteiro na acadêmica? Como lidar com códigos e performances hoje quase que desaparecidos da cena brasileira? Buscar uma especificidade ou pautar-se por processos de atualização de suas partituras? Inúmeras foram às questões que envolveram e ainda permeiam a produção de Zylda – Anunciou é Apoteose! Nesta comunicação apresento os processos de escrita – dramatúrgica e cênica – deste espetáculo revisteiro, expondo as dificuldades e os acertos na condução deste espetáculo, bem como as apropriações desta linguagem pelo atores para desenvolver seu jogo cênico a partir de modelos fluidos e pautados na interpretação calcada na exterioridade

Palavras-Chave: Dramaturgia, Encenação, Teatro de Revista

  • Programas de Teatro: traços de uma experiência criativa

Walter Lima Torres Neto
Professor Associado e Pesquisador
Doutorado em Artes do Espetáculo – Sorbonne Nouvelle Paris – III
Curso de Letras e Programa de Pós Graduação em Letras da UFPR, Curitiba.

Resumo: Esta comunicação expõe conclusões parciais acerca de nossa pesquisa, cujo objetivo é o de estudar o discurso dos agentes criativos da cena teatral, onde possam se expressar para além do espetáculo. Nos dedicamos, especificamente, ao discurso dos agentes criativos da cena teatral, cujo teor de suas idéias são vinculados nos programas dos espetáculos, projetos de montagem, material publicitário etc. Nesta comunicação problematizamos a condição do próprio programa de teatro como objeto de estudo, traçando uma breve perspectiva da situação do próprio programa no contexto de nossa cultura e prática teatral no ocidente. E propomos algumas questões sobre a função do programa na dinâmica que envolve os agentes criativos e a coletividade que se beneficia dessa produção simbólica

Palavras-Chave: programas de teatro; cultura teatral; mentalidades